Vida de Escritor #6

 

Uma semana (ou às vezes um dia) na vida de um escritor.

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“Eu não posso acreditar que eu escrevi isto!
Oh, essa cena é hedionda.
Bom, tudo bem, o resto da história compensa, certo?
Oh meu Deus… esta história é horrível.
Esta história é tão incrível!
Eu sou um péssimo autor. Eu vou desistir.
Eu NUNCA vou desistir! Woo-hoo!
Eu sou um escritor desprezível.
Woo-hoo! A Melhor! História!
* chorando *.”

 

Fonte: Rachel Raine

Susan

Susan era uma garçonete em um pequeno bar. Todas as sextas-feiras uma banda de quatro rapazes tocava ali. O vocalista da banda sempre flertava com Susan, mas ela não lhe dava muita atenção, até que um dia ele a convidou para ouvi-los tocar em um local famoso da cidade. Impressionada, ela aceitou o convite.

Esse foi o começo do relacionamento deles e tudo foi como um sonho para a moça, mas depois de um ano as coisas mudaram. Os companheiros da banda do seu namorado começaram a usar drogas, não que antes não usavam, mas usavam menos e com menos frequência, agora era sempre, todo dia, e ele também. Susan não gostava das drogas, mas gostava dos presentes e da atenção que ganhava, por isso continuou com ele.

Certo dia, quando Susan entrou no apartamento do seu namorado, ele não parecia nada bem. Ela não sabia o que ele tinha fumado ou injetado, não importava, o que importava era que estava descontrolado. Agia como se alguém o estivesse perseguindo, gritava para que o deixassem em paz e estava com uma faca em mãos. Susan se assustou com a cena e estava para ir embora quando ele pulou na sua frente com os olhos arreglados de terror. Susan deu alguns passos para trás, tropeçou na mesa de centro caindo ao chão e foi se arrastando para trás. Ele foi para cima dela como um touro, ela fez o que pode para desviar, mas não conseguiu. A faca entrou no seu abdômen e ela soltou um gemido abafado enquanto ainda tentava se afastar dele. O rapaz alucinado ficou olhando para o sangue que escorria no tapete e esqueceu dela.

Susan continuou se afastando, queria alcançar o telefone, mas quanto mais se mexia, mais sangrava e sentia uma dor imensa. Seus olhos queriam fechar, mas ela não queria tirar os olhos dele, que continuava imóvel, sem piscar. A visão da moça começou a embaçar, não sabia se pelas lágrimas ou porque estava morrendo. Então, viu um vulto, achou que era ele e tentou ir para longe, mas não tinha forças. A pessoa chegou bem perto dela, não era ele. Era uma mulher. Ela lhe tocou o rosto e Susan se encontrou em pé no meio do apartamento; o rapaz ainda estava lá, assim como seu corpo caído. Olhou para ela mesma, estava suja de sangue e Christa estava na sua frente.  A mulher se apresentou, Susan perguntou se tinha morrido, Christa respondeu que ainda não, mas que ela poderia salvá-la. Ela colocou sua mão sobre a mão de Susan e falou que ela estava ali para ajudá-la a se vingar daquele que a matou, tudo o que ela pedia em troca era que ela a ajudasse na sua vingança também. Susan relutou, olhou em torno ainda tentando entender o que estava acontecendo, Christa lhe disse que não tinha muito tempo, precisava decidir antes de morrer. A garota perguntou o que aconteceria com ela, Christa respondeu que ela viveria, mas seria uma sua súdita e quando o momento chegasse ela deveria subir à morada dos Deuses, acrescentou dizendo que todo o tempo que elas passassem na terra se preparando ela poderia usar para se vingar e que nunca envelheceria. Susan respondeu que não queria ser escrava de ninguém, Christa disse que não seria escrava, no momento em que ela decidisse deixá-la, ela a liberaria, mas isso iria significar a concretização da sua morte, a escolha era dela, morrer agora ou alongar a “vida”. Susan não precisou de mais do que isso e aceitou o acordo.

Christa pegou na sua mão e a moça foi se sentindo mais viva e no entanto ali estava o seu corpo, agora morto. Tocou a parede para ver se ela era real, se era sólida e era! Estava um pouco tonta, mas não sentia dor. Então percebeu que o rapaz tinha ido embora, Christa viu o ódio em seu olhar e acalmou dizendo que elas o encontrariam em qualquer lugar. A mulher tocou o ombro de Susan e então elas estavam em uma rua escura com alguns mendigos dormindo em um canto com um fogo para aquecê-los e ao longe Susan viu um homem vindo na direção delas. Ele tinha o passo apressado como se estivesse fugindo. Christa foi até ele, quando a luz do fogo  iluminou o rosto do rapaz, Susan corou de ódio. Era ele! Ela se aproximou, mas logo percebeu que ele não a via. Christa estava na sua frente, com uma seringa na mão, ela não lhe disse nada, só colocou a seringa em suas mãos. Ele pegou, sem relutância, o que Susan achou estranho. Ali, na frente delas, ele injetou o conteúdo da seringa e em seguida caiu no chão agonizando. Feridas em carne viva começaram a aparecer no seu rosto, seus gritos chamaram a atenção dos mendigos que devagar começaram a se aproximar e Susan notou que eles não olhavam para elas. Christa tocou seu ombro novamente e elas estavam na sua casa. A moça se afastou dela perguntando quem ela era de verdade, ao que Christa respondeu prontamente, contando toda a sua história. Susan ainda desconfiava e questionou se aquilo que ela viu não fora um sonho ou algum de tipo de ilusão. Queria ter certeza de que aquilo realmente tinha acontecido. Christa, sempre paciente, concordou e disse para ela procurar por ele, tomando cuidado, pois para o mundo ela estava morta.

Susan colocou um lenço na cabeça, óculos escuros e foi para o hospital mais próximo da casa dele, afinal, se aquilo tudo foi real, era para lá que ele seria levado. Chegando lá, ela deu o nome do rapaz dizendo que era uma sua amiga e dando outro nome qualquer. A enfermeira a encaminhou, ele estava lá.

Ela o viu, pela janela de vidro do quarto, feridas enormes cobrindo, não só seu rosto, mas também suas mãos e pescoço. Um sorriso sutil nasceu nos lábios de Susan, o rapaz virou a cabeça para o lado, ela tirou os óculos e o lenço, queria que ele a visse e ele a viu. Seus olhos se encheram de terror, ela lhe fez um aceno com a mão e o seu sorriso de alargou. O rapaz apertou o botão desesperadamente para chamar a enfermeira. Ela deu as costas e foi embora se sentindo poderosa.

Susan correu para casa ansiosa para ver Christa novamente, chamou por ela e quando esta apareceu, ela lhe perguntou imediatamente o que mais poderiam fazer com ele, Christa respondeu que poderiam fazer o que ela quisesse. Susan lhe disse que faria qualquer coisa por ela, jurou lealdade e obediência e elas partiram para o Vale do Rubi onde Susan e outras como ela seriam treinadas pela própria Christa e de vez em quando sairiam para atormentar aqueles que as mataram.

(Essa é uma personagem do livro C.S. que você pode encontrar aqui.)

Brianna

Brianna descobriu seu lado demoníaco aos 13 anos. Na época ela e seu pai vivam em um trailer, sempre viajando. Ela sempre gostou da biblioteca e um dia ficou ali até mais tarde, quando estava voltando para o trailer passou na frente de cinco meninos. Ela atravessou a rua, mas percebeu que eles começaram a vir atrás, então correu. Correu o mais rápido que conseguia, largou os livros que tinha nas mãos e continuou correndo, mas então uma dor aguda no seu peito a fez parar. Ela caiu de joelhos e sentiu as gengivas rasgarem e os dedos pulsarem de dor. Os meninos a alcançaram,  mas quando um deles colocou a mão no seu ombro, ela avançou para cima dele como um animal acuado, rasgando sua garganta com os dentes. Os outros estavam para fugir, mas ela não deixou. Abriu as costas de um deles com as unhas e quebrou o pescoço de outro. Os outros dois já estavam longe. Ela correu atrás deles, correu tão rápido que voou para cima deles fazendo os dois rolarem pelo chão. Brianna arranhou o rosto de um e arrancou o coração do outro. Ficou ali, ofegante, com sangue por todos os lados. Quando olhou para o menino com o rosto rasgado viu que ele ainda estava vivo, mas estava se decompondo, se decompunha vivo. Um pequeno sorriso nasceu no seu rosto, mas ela logo ela voltou em si. Ouviu vozes ao longe, olhou em torno mais uma vez e saiu correndo.

Quando seu pai abriu a porta do trailer viu Brianna parada com os olhos amarelos e vazios. Sua roupa, seu rosto, seus braços, tudo sujo de sangue. Ele a colocou para dentro enquanto se certificava que não havia ninguém por perto. Perguntou se ela estava machucada, mas ela não respondia. Depois de procurar pelo corpo da menina, chegou a conclusão de que o sangue não era dela. Ela não precisava falar, ele sabia o que tinha acontecido. Colocou a menina sentada no banco da frente e deu partida. Precisavam sair dali.

Seu pai dirigiu por 12h seguidas.  Depois de um tempo no carro, Brianna acabou dormindo. Ele parou na beira de uma estrada deserta e a acordou dizendo que ela precisava tirar aquelas roupas e ir se lavar.  Ela obedeceu apaticamente e enquanto ela tomava banho, ele queimou as roupas na beira da estrada. Quando voltou para o trailer se ajoelhou na frente da filha e pediu desculpas, sabia que aquilo aconteceria mais cedo ou mais tarde, mas achou que tinha mais tempo e não sabia como contar para ela que ela era meio demônio. Depois de ouvir seu pai ela só lhe fez uma pergunta, que era por que o rosto do menino começou a se decompor. Seu pai lhe explicou que ela, assim como ele, era venenosa, como uma cobra ou aranha, e esse era o efeito do seu veneno. Não demorou muito para Brianna entender que foi o seu veneno que matou sua mãe quando ela nasceu e seu pai não pode negar. Depois que ela contou exatamente o que aconteceu, ele tentou amenizar o ocorrido dizendo que ela estava se defendendo, mas esse não era o problema, ela sabia disso, não se sentia mal por ter matado os meninos, se sentia mal porque tinha gostado.

Os dias passaram e eles não pararam de viajar. Aos poucos seu humor foi melhorando, principalmente com seu pai treinando seu autocontrole. Certo dia foram parar no Vale do Rubi, seu pai tinha um velho amigo que morava ali. Brianna gostou do lugar e seu pai decidiu que eles ficariam ali; vendeu o trailer e com o dinheiro comprou um bar caindo aos pedaços. Seu amigo o ajudou a reformar o bar e Brianna e seu pai se estabeleceram ali.

(Brianna é uma personagem do livro C.S., para comprar o e-book clique aqui.)

Breve romance

Ela era meio demônio e meio humana. Mas conseguia se controlar, no final das contas todos temos um demônio dentro de nós, que normalmente aparece quando estamos com raiva. Com ela era igual, com a diferença que seus olhos mudavam de cor e seus dentes cresciam e seu rosto ficava estranho. Porém, como eu disse, ela aprendeu a se controlar e se pode dizer que ela era melhor do que muitos humanos.

Uma dia, ela conheceu um anjo e ele se impressionou com a sua capacidade de se controlar e com a sua humanidade. Ele era um anjo descrente nos humanos, achava que eles não mereciam mais ser ajudados, pois eram brutos e violentos uns com os outros. Os dois passaram a conversar e com o passar do tempo se viam frequentemente. Ele gostava do modo simples que ela via a vida e ela gostava do seu modo confuso de ver os humanos.

Ele percebeu que a amava e ela também o amava, mas é claro que não podiam ficar juntos. Onde já se viu, um meio demônio com um anjo! Eles começaram a se ver com menos frequencia, o anjo achou melhor assim, pois temia pela segurança dela. Os outros anjos não estavam gostando daquela amizade. Então eles foram se vendo cada vez menos.

Ela se conformou, desde o começo sabia que seria assim, soube que era… “uma coisa”, que era diferente, que mesmo tentando se encaixar e não fazendo mal a ninguém, sempre seria um dêmonio.

Certo dia o anjo lhe pediu ajuda, precisava ir atrás de um anjo que decidiu que os humanos não mereciam mais viver. Ela achou estranho, pois ele também pensava assim. Mas ela o tinha feito mudar de ideia, então eles foram.

Quando chegaram no local, o anjo que queria a morte dos humanos foi na direção do nosso anjo com uma espada em punho, ela o viu e se colocou na frente do anjo recebendo o ataque. Seus olhos mudaram de cor, ela chorou, seus dentes cresceram, seu rosto mudou, ela sangrou e morreu. O anjo desapareceu e nosso anjo chorou.

Mais tarde, todos, em todos os reinos, ficaram sabendo que um meio demônio deu a vida para salvar um anjo.

Bailarosa

Era uma vez uma rosa branca. Ela nasceu por acaso no meio de lírios, como todos sabem, os lírios são bailarinos.

Por isso que na natureza eles são conhecidos como “bailalirios”. De qualquer forma, a rosa branca sonhava durante o dia e de noite se maravilhava com o espetáculo dos seus vizinhos. Seu sonho era dançar como eles, mas eles falavam “Rosas não dançam. Principalmente as brancas!”

Devo dizer que esses comentários deixavam a pequena rosa muito triste. Mas ela não se deixou convencer e todas as noites observava com atenção a dança dos lírios e tentava repetir os movimentos. Uma certa noite, um dos lírios viu a pequena rosa se movimentando e falou “Você não pode se dobrar desse jeito, faz assim, como eu.”. A pequena rosa era só felicidade, finalmente um lírio resolveu lhe ajudar.

Assim, todas as noites ela se aproximava do lírio que a ajudava, não posso dizer que o lírio era carinhoso com ela, porque não era. E por isso a rosa resolveu perguntar “Por que você me ajuda se não acredita em mim?”.

“Porque me doía as pétalas ver você dançando daquele jeito. Mas devo admitir que você está pegando o jeito da coisa.”

A pequena rosa ficou em êxtase com esta observação. Elas continuaram treinando todas as noites. Mas a rosa não praticava só a noite, durante o dia ela fazia exercícios e praticava, enquanto os lírios dormiam ou faziam outras coisas.

Certo dia todos os lírios estavam muito agitados, a rosa perguntou o que estava acontecendo “Em que mundo você vive?”. Perguntou um deles “Daqui uma semana entramos na primavera e temos que fazer o nosso show. Quando começamos o show, os pássaros começam a chegar e dançam com aquele que eles consideram o mais gracioso bailalirio.”

Vendo o olhar perdido e sonhador da pequena rosa, o lírio adicionou uma gota de veneno “Mas você não precisa se preocupar com isso, afinal sua dança é só por diversão. Deve ser bom já saber que os pássaros não vão te escolher, assim você nem fica nervosa.”.

A rosa branca teve um momento de tristeza, um de raiva, um de pena de si mesma seguido de depressão e depois mais raiva. Sua “professora” a viu e em um canto e foi até ela “O que você está fazendo aqui? Temos que treinar a coreografia.”.

“Eu faço parte da coreografia?”. Perguntou a rosa quase sem acreditar nas palavras que saiam da sua boca.

“Você acha que eu sou o tipo de lírio que perde tempo com rosinhas inseguras? Nem precisa responder, eu acho que você treinou muito e tem o direito de participar da coreografia, mas você quem sabe.”.

O lírio estava indo embora quando a rosa foi atrás dele e dizendo que queria muito participar.

A coreografia era mais fácil do que a pequena rosa tinha imaginado, mas é claro que elas tinham que praticar muito até ficar realmente boa. Porém,  para a surpresa da nossa amiga, parecia que só ela achava que os ensaios eram importantes. Os lírios ensaiavam umas ou duas horas e depois iam fazer outras coisas, como arrumar as pétalas e falar sobre como seria excitante se os pássaros voassem com um deles.

A rosa foi atrás da sua “professora”, mas essa também parecia não estar preocupada com a coreografia, pois ela era realmente inquieta com a sua apresentação solo. O motivo pelo qual ela tinha uma apresentação solo, era porque na primavera passada os pássaros a escolheram.

Sendo assim, a rosa praticava sozinha, passava horas e horas ensaiando a coreografia do começo ao fim.

Finalmente o grande dia chegou, todos eram nervosos. Elas começaram a dançar e os pássaros começaram a chegar. A pequena rosa ficou muito surpresa com os erros que os outros bailalirios faziam, mas mesmo assim continuava a sua dança dando o melhor de si. No meio da apresentação elas pararam em pose, era o momento do solo. Pela primeira vez, a rosa não se sentiu inferior a sua “professora”, ou em relação a qualquer  lírios. Não que eles não estavam dançando bem, mas era longe de ser um espetáculo divino.

De qualquer jeito, o solo acabou e elas fizeram a última parte da coreografia, era nessa parte que os pássaros deviam começar a dançar com um deles.

A pequena rosa estava concentrada em não cair, enquanto se equilibrava na ponta de uma de suas folhas, quando viu uma asa perto dela, levantou o olhar e viu os pássaros voando entre elas, mas ela não podia ver em torno de quem “Deve ser alguém perto de mim.”. Ela pensou.

Continuou a dança, faltavam só alguns passos para terminar, no seu último movimento percebeu que os pássaros estavam bem perto dela “Não, não pode ser. Voam perto de mim!”. Ela se sentiu tão esplendorosa que continuou a dançar até depois que a coreografia já tinha terminado.

Porém, pouco a pouco, ela foi parando, ao ver as caras feias dos lírios em torno dela e dos pássaros. Quando eles pararam de dançar um dos lírios se aproximou e disse “Vocês estão loucos? Ela nem é um bailalirio de verdade!”.

“É verdade, ela não é um bailalirio” Disse um dos pássaros “Ela é uma bailarosa.”.

“Não importa o que vocês dizem, ninguém pode nos convencer que essa aí é a que dança melhor.”

“E quem disse que nós escolhemos aquela que dança melhor? Escolhemos aquela que dança com a alma. Pois é isso que faz a diferença. É fácil saber a técnica, é fácil ser naturalmente graciosa, mas só quem dança com alma consegue fazer com que os outros tenham vontade de dançar também.”.

Depois dessa afirmação os pássaros e a pequena rosa branca dançaram e dançaram por muito tempo. E para o desespero dos lírios, depois daquele dia, outras rosas começaram a nascer por ali. Ou melhor, outras bailarosas, pois todas eram delicamente apresentadas a dança pela pequena rosa branca.

Tarah e Sibelle

Tarah Eu te prejudiquei tanto.

Sibelle (seca) Já passou. Muita coisa aconteceu por aqui nesses dias, esquece, você precisa descansar.

Tarah Eu vou morrer, já posso sentir. Antes não, antes era uma idéia, agora é uma certeza, eu sinto como se meu ar estivesse se esvaindo aos poucos, como se minha alma estivesse se despregando do meu corpo a cada tomada de ar.

Sibelle Desde quando você acredita em alma?

Tarah Desde que eu percebi o quanto é inevitável lutar contra essa doença.

Sibelle Só falta você falar que vai querer chamar o padre antes de morrer.

Tarah Não! Eu vou para onde merecer ir (pausa). E você?

Sibelle Eu o quê?

Tarah Você sabe…

Sibelle Se você não se importa, eu não quero falar disso!

Tarah Por quê você o deixou?

Sibelle Por que você quer saber? Quer que eu te alivie a culpa do que fez contando o motivo fútil que me fez ir embora. Você mesma disse que vai para onde merece ir.

Tarah Me deixa, não sei o que você faz aqui.

Sibelle Já me perguntei isso muitas vezes. Acho que te ver morrer me alivia de alguma forma. Ou, quem sabe, estou querendo reparar um erro com uma boa ação.

Tarah Eu sou sua boa ação, é no mínimo irônico.

Sibelle Não vai demorar muito (se senta ao lado de Tarah e segura sua mão).

Tarah Me perdoa.

Sibelle (a olha fixamente por um tempo) Quem sou eu para perdoar alguém?