Lorne – O Quarto Mundo

Setembro 8, 2015

O pai de Lorne era um banqueiro com muito dinheiro. Seus pais morreram assassinados por criminais quando ele tinha sete anos e a partir daí ele foi criado pela avó materna que também cuidou das suas finanças.

Ele cresceu e foi estudar advocacia, mas seu interesse real estava em astronomia. Na biblioteca da faculdade ele fez amizade com um colega que possuía o mesmo interesse pelas estrelas.

Os dois passaram muito tempo juntos, sempre que estavam livres, eles iam observar o céu ou ler e discutir o assunto.

Certo dia seu amigo apareceu com um livro de capa de couro amarela com símbolos, anotações e constelações não existentes no nosso mundo.  Intrigado, Lorne vai fundo para descobrir do que aquilo se trata.

Sua obsessão o afasta do seu amigo, dos seus estudos e das suas obrigações, mas sua avó cuidou bem do seu dinheiro, então isso não era um problema e ele continuou sua investigação.

Após encontrar muitos charlatões, mentirosos e falsas pistas, ele vai parar em uma loja de antiguidades.

Ao entrar, tudo parece normal, uma loja entulhada de coisas velhas, poeira e um velho sentado lendo um livro. Lorne já tinha feito aquele procedimento em outras lojas, ele ia até o vendedor e perguntava se ele tinha algo de outro mundo, até aquele momento, os vendedores lhe mostravam peças de outros continentes ou diziam não ter nada, mas com esse foi diferente. O velho ouviu a pergunta e sem dizer nada foi nos fundos da loja trazendo uma caixa de joia que ele colocou em cima do balcão na frente de Lorne e voltou a ler seu livro.

Dentro da caixa havia uma pulseira em forma de serpente. Lorne colocou a pulseira e não estava mais na loja, estava em meio a natureza, uma natureza que ele nunca havia visto, ele olhou para o céu e ali estavam as constelações que ele passara anos procurando.

Ele tirou a pulseira e estava na loja novamente. O velho o observava e logo explicou que ele não foi realmente para o outro mundo, ele só viu algo que estava memorizado na pulseira.

Lorne quis saber como ele poderia ir para aquele mundo.

O velho tirou sua boina e Lorne viu como as pontudas orelhas dele saiam de dentro dos chumaços dos cabelos brancos e então ele entendeu que aquele homem era daquele outro mundo. Ele contou a Lorne que os seres do seu mundo não podem passar pelos portais, mas de vez em quando se pode dar um jeito. “De onde você acha que vem todos os mitos?”, disse o velho. Ele então contou que ele era um elfo do Oásis e que era um alquimista. Contou que ele e um amigo criaram algo muito poderoso e por isso ele teve que fugir para o Mundo dos Humanos. Depois ele explicou tudo sobre o Quarto Mundo, o modo como tudo funcionava, sobre os sermérios, os portais, os humanos e os magos.

Lorne quis saber imediatamente como ele poderia se tornar um mago e se o elfo teria como levá-lo ao Quarto Mundo.

O alquimista explicou a Lorne que ele deveria passar pelas provas de Uaica, falou dos riscos, mas Lorne estava decidido, se o velho elfo não tivesse falado que precisava reunir alguns ingredientes para o ritual, Lorne iria querer fazer tudo ali naquele momento.

Lorne usou os dias seguintes para deixar tudo pronto para sua partida, pois pretendia voltar somente uma vez. Ele deixou tudo pago para sua avó ser bem cuidada até a morte, visto que ela já não saía mais da cama e a qualquer momento iria morrer.

Duas semanas depois, o velho o chamou, estava tudo pronto.

O velho elfo tinha estendido um tapete no chão para Lorne deitar, lhe deu um frasco com um liquido negro e o mandou beber tudo.

Antes de beber Lorne perguntou o que tinha ali, mas a resposta foi que se ele queria ter aula de poções deveria voltar outro dia. Decidido a fazer aquilo, Lorne bebeu e se deitou. Não demorou muito para sentir a cabeça girar e a visão escurecer.

Lorne estava em um navio naufragado. Durante um tempo não se mexeu, achou que o que tivesse que acontecer ia acontecer com ele ali, não sairia a procura do perigo. Uma sombra passou por trás dele, ele se virou de estaco, mas ainda não se mexeu. Um grito. Parecia de criança. Ele correu. Em meio aos destroços do casco do navio, ele achou uma menina com  roupas esfarrapadas e machucada. Lorne ia estendendo a mão, mas então uma criatura que ele nunca tinha visto saiu de dentro das águas, era algo como uma lula gigante, mas com dentes e a pele transparente. Sem entender, Lorne correu para ajudá-la, mas com um sorriso ela desapareceu e o animal o pegou. Sentiu ventosas que o queimavam seus braços e suas pernas. Atrás dele, ele ouviu a menina rir.  Desesperado Lorne olhou em volta, havia um pedaço de madeira pontudo perto da sua perna. Com muito esforço ele conseguiu chegar perto do chão e quebrou o pulso para alcançá-lo, mas conseguiu, cortou um tentáculo enquanto urrava de dor, o animal o soltou recuando. Lorne olhou para trás enfurecido. A menina ainda estava lá. Lorne hesitou por um momento, mas então ouviu a criatura voltar atrás dele. Ele correu até a menina e enfiou o pedaço de madeira na sua garganta.

Lorne acordou tossindo no chão da loja do velho elfo. Não havia nada no seu corpo que não doesse. Quando foi mexer o braço notou que estava enfaixado. Lambeu os lábios e sentiu o gosto de água do mar. O velho perguntou como ele estava se sentindo.

Lorne não sabia como responder, se ele sentia a dor do que aconteceu naquele lugar, queria dizer que ele realmente tinha matado aquela menina? Ele perguntou ao velho, sem falar da menina, perguntou se aquilo tinha sido real. Ele respondeu que com a Deusa Uaica era impossível saber o que era real e o que era ilusão, mas que ela provavelmente queria ver até onde ele iria para ter poder.

A cabeça de Lorne girava e então toda a loja tremeu. O velho falou que o poder já estava dentro dele, mas descontrolado, agora ele precisava de um mestre para ensiná-lo a controlar.

O velho foi até a parte de trás da loja deixando Lorne sozinho com seu novo pesadelo, precisava saber que criança era aquela ou talvez fosse melhor esquecer. O elfo voltou com uma varinha de madeira clara. Ele a pegou com cuidado, o que fez Lorne pensar que devia fazer muito tempo desde que pegara naquela varinha.

O velho foi até uma parede e desenhou uma porta com a varinha, segundos depois onde antes não havia nada, agora havia uma porta que parecia ter sido feito de fumaça violeta. O alquimista falou para ele ir logo, não ia ficar ali para sempre.

Lorne agradeceu e passou pelo portal.

Ao chegar no Quarto Mundo ele foi imediatamente procurar o mago que o elfo falara. Ele estava em Aruana, Lorne o encontrou e o mago só aceitou treiná-lo quando ele falou do velho elfo alquimista e eles logo iniciaram o treinamento. Após dois anos juntos, Zauber apareceu.

Ele contou uma história de como uma maga o trouxe para esse mundo dizendo que salvaria sua filha e depois o abandonou quando os sermérios apareceram. Não falou o nome da mãe de Azura, pois sabia que eles podiam se conhecer e então ela contaria a verdade. Ele inventou um nome falso para ela e disse que sabia que sua única esperança naquele mundo seria se tornar um mago. O mestre de Lorne não gostou muito daquilo, mas acabou se apiedando de Zauber e fez o que ele pediu.

Logo de cara Lorne não gostou de Zauber e só ficou ali mais quatro meses. Decidiu que era hora de ir cuidar da própria vida, já sabia o suficiente. Depois disso nunca mais viu seu mestre, ficou sabendo por terceiros que ele tinha morrido, mas ninguém sabia dizer como.

Lorne voltou ao mundo dos humanos só uma vez. Ele foi até a prisão onde os assassinos dos seus pais se encontravam e os matou sufocando-os no próprio ar. Sua avó tinha morrido. Ele foi visitar o velho, os dois conversaram uma última vez e Lorne nunca mais voltou.

 

(Lorne é um personagem do meu livro O Quarto Mundo, para saber mais clique aqui.)

 

 

 

 

   

 

 

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Virgínia era a quinta filha de uma família de nove filhos. Sua família era pobre e por isso eles a mandaram para um convento. Onde ela teria instrução, casa e um futuro.

Ela foi para lá quando tinha quinze anos e ali foi sua casa por cinco anos. O convento também era uma espécie de enfermaria onde as freiras cuidavam de doentes e feridos de guerra.

A única parte do convento que Virgínia gostava era de atender os doentes. Fazia com que se sentisse útil e era quando ela podia ter conversas de verdade com pessoas de fora.

Ela nunca mais teve contato com a sua família. O convento ficava longe de onde viviam e ninguém nunca fora visitá-la.

Certo dia chegou um soldado. Ele tinha uma perna quebrada que as freiras estavam fazendo o possível para não precisar amputá-la e Virgínia era uma das encarregadas dele.

O soldado estava consciente e logo ele se tornou o paciente preferido de Virgínia. Ela o deixava por último na sua ronda habitual, assim tinham tempo para conversar.

Quando ele começou a se recuperar e as freiras falavam sobre mandá-lo a casa, Virgínia sabia que a hora de se despedir tinha chegado, mas na penúltima noite que ele ficaria ali, ele pediu a ela que fugisse com ele.

Virgínia hesitou somente por um breve momento. Ela nunca quis aquela vida, ela não escolhera aquilo.

Eles fugiriam na noite seguinte.

Virgínia nunca se sentiu tão livre e tão feliz em toda sua vida.

Eles se casaram, mas eles não viveram juntos por muito tempo. A perna dele estava sarada e logo ele teve que voltar à guerra.

Virgínia não queria ficar em casa e esperar pela sua volta. Ela vestiu o hábito novamente se passando por freira e foi come ele como enfermeira para ficar mais perto de onde ele estivesse.

Mas o lugar onde ela estava foi atacado e ela acordou no Quarto Mundo.

 

(Virgínia é uma personagem do meu livro O Quarto Mundo, para saber mais clique aqui.)

O que Steven, Richard e Hubert não sabiam sobre Thomas, era que ele não era um pirata qualquer. Ele era um corsário contratado pela rainha e era filho de Duque.

Estudou nos melhores colégios da região, mas perdera os pais cedo e com isso ele herdara muito dinheiro que mais tarde perdeu em investimentos que deram errado.

Resolveu seguir um capitão que ia para guerra e com ele aprendeu a arte da marinha.

Ele obteve a autorização para construir seu próprio navio e com esse navio ele queimou cidades e saqueou muitos tesouros. Alguns foram para o seu país e outros ele escondeu.

Thomas não tinha amigos no navio, para ele eram todos subalternos, todos dispensáveis, mas ele gostava de sentar perto do leme e ficava ouvindo a conversa da tripulação.

Entre as conversas havia um mito que era o seu assunto preferido. O mito dizia que certa vez um marinheiro quase se afogou e quando voltou em si contou ver seres de orelhas pontudas em um deserto. Sem conseguir tirar aquilo da cabeça, ele foi ver uma bruxa e ela lhe disse que há um mundo entre o nosso e o mundo dos Deuses e dos Mortos para onde os que estão entre a vida e a morte vão. O marinheiro lhe implorou para ela o levar para esse mundo, ele se despediu de seus companheiros, que acharam que era tudo assunto de quem tomou muita bebida, e desapareceu. Ninguém mais o viu ou ouviu falar nele e quando seus amigos foram perguntar à bruxa, ela também tinha desaparecido.

Ele estava ali, escutando essa história pela quarta vez, quando avistou o navio em que Steven, Hubert e Richard estavam.

Era hora de trabalhar.

(Thomas é um personagem do meu livro O Quarto Mundo, para saber mais sobre o livro clique aqui.)

 

YouTube do diretor aqui.

Hubert – O Quarto Mundo

Janeiro 14, 2015

A mãe de Hubert era uma cantora de ópera e seu pai era seu agente.

Quando Hubert não estava viajando com eles, ele estava na casa da avó materna.

A timidez de Hubert fez com que ele nunca sequer pensasse em seguir os caminhos da mãe e ir para o palco, mas ele adorava ficar nos bastidores. Pensou que um dia podia ser diretor, pois assistir aos ensaios era o que ele mais gostava.

Ele nunca cogitou a possibilidade de ir para a guerra, embora soubesse que as chances de ser convocado eram muito grandes, tinha uma esperança ingênua que, devido ao fato de estar sempre viajando, talvez ele escapasse da convocação.

Quando Hubert tinha 17 anos, sua avó pegou varíola e ele foi deixado para trás para cuidar dela. Nesse meio tempo, ele ficou sabendo que o teatro onde seus pais estavam se apresentando pegara fogo e ninguém sabia dizer onde estavam seus pais.

Tendo consciência que sua avó não viveria muito, ele planejou partir em busca dos pais assim que o inevitável acontecesse, porém, dois dias depois da sua avó sucumbir, ele foi chamado.

Fugir passou pela sua cabeça, mas não podia fazer isso com o nome de sua família, pois naquele momento começava a achar que o nome dos seus pais era tudo o que restava deles, pois todas suas tentativas de saber se seus pais sobreviveram ao incêndio foram infrutíferas.

Sendo assim, ele foi.

Quando soube que o colocaram no navio, achou que talvez as coisas não seriam tão ruins quanto pensara, mas aquilo não foi verdade. Ninguém na tripulação tinha a sua educação, a maioria eram homens que nem sabiam ler e ele se destacava, se sentia estranho, observado e odiado por nenhum motivo aparente que não fosse o fato de ter dinheiro e saber pronunciar as palavras de forma correta. Richard foi o único que virou seu amigo. Steven também o tratava bem, mas Hubert sabia que não era boa companhia para ninguém. Pensou em se matar muitas vezes, mas morrer afogado o apavorava. Melhor um tiro na cabeça, ele pensava. Muitas noites ele levantou a arma até sua cabeça, mas nunca teve a coragem de puxar o gatilho e Hubert dizia a si mesmo: talvez amanhã.

Então, o navio pirata veio…

 

(Hubert é um personagem do meu livro O Quarto Mundo, para saber mais clique aqui.)

Richard

Novembro 25, 2014

Richard era de uma família nobre. Seu pai era um almirante respeitado. Ele tinha um irmão quatro anos mais velho do que ele. Quando pequeno Richard queria ser igual ao pai, a diferença do irmão que queria ser jornalista, mas para seu pai não importava o que nenhum dos dois queria, pois os dois seguiriam seus passos de qualquer maneira.

Quando Richard tinha nove anos, seu pai perdeu uma mão por culpa de uma bala de canhão. Embora o homem ainda quisesse continuar na sua profissão, seus superiores o forçaram a se retirar. Depois disso, ele dedicou seu tempo a fazer com que seus filhos se tornassem como ele.

O irmão de Richard se matou no dia do seu aniversário de quinze anos, pois sabia que já teria idade para ser convocado. A mãe de Richard entrou em depressão e só Richard conseguia fazer com que ela sorrisse. Seu pai, embora nunca tivesse dito a ninguém, sabia que o suicídio do rapaz tinha sido em parte culpa sua, mas continuou a treinar Richard mesmo assim.

Quando Richard começou a chegar perto dos 15 anos, sua mãe sabia o que iria acontecer, logo ele seria convocado, pois seu marido faria questão que ele fosse.

Richard acordou mais de uma noite com os gritos dos pais que discutiam sobre seu futuro. Sua mãe queria que eles fugissem para longe, para algum lugar onde ele poderia ter uma vida normal, seu pai achava tudo um absurdo. Então, certo dia, Richard acordou assustado com sua mãe que andava de um lado para o outro no seu quarto. Ela queria levá-lo embora, já estava arrumando sua mala, mas Richard se recusou. Disse que ia acordar seu pai se ela não parasse com aquela ideia, que ele não ia fugir das suas obrigações como seu irmão fez.

No dia seguinte, quando ele acordou, sua mãe tinha ido embora e ele nunca mais a viu. Ela deixou um bilhete dizendo que não podia ver seu outro filho se suicidar.

Depois disso, seu avô foi morar com eles. O pai do seu pai também tinha sido militar e o tempo de Richard era preenchido todos os dias e todas as horas com treinamentos.  Ele nunca achou ruim. Nem nunca se lamentou. Era tudo o que queria. Não saberia o que faria da sua vida se não fizesse aquilo. Não saberia nem quem seria se não fosse aquilo. Principalmente quando seu pai era tudo o que lhe restava e ele sabia que seu pai só o quereria se ele fosse aquela pessoa.

Quando Richard chegou a idade, foi convocado. Com muito orgulho ele se despediu do pai, do avô e partiu com o navio.

Poucos no navio eram tão educados quanto ele e por isso a pessoa que ele mais encontrou afinidade foi Steven. Hubert também era um bom amigo, mas sempre depressivo, de um jeito que lhe lembrava seu irmão e sua mãe, por isso era difícil ficar perto dele, mas Richard gostava dele mesmo assim e sempre o defendia perante os outros.

O capitão e todos os colegas se impressionaram com as habilidades do jovem rapaz e ele sempre respondia que um dia seria um almirante como seu pai, mas então, o navio pirata veio.

-Marina Sandoval

(Richard é um personagem do meu livro O Quarto Mundo para saber mais sobre o livro clique aqui.)

Steven – O Quarto Mundo

Outubro 11, 2014

Steven nasceu em uma comunidade pequena onde a maioria das pessoas eram agricultores.

Ele nunca conheceu seu pai, foi criado pela mãe, a quem ele ficou muito próximo e pelo tio paterno, que nunca explicou a ausência do pai de Steven. Mais tarde, ele descobriu que seu pai fugiu assim que soube da gravidez e nunca mais deu notícias, seu tio por achar que era seu dever, sempre ajudou sua mãe. Com muito suor da parte dos dois, eles conseguiram enviar Steven para a cidade e para a Faculdade de Medicina.

Por pertencer a uma classe social mais baixa do que a maioria que estudava ali, Steven não tinha tantos amigos da faculdade, mas os professores gostavam da sua dedicação, por isso ficou mais amigos deles do que daqueles da sua idade.

Conseguiu se tornar um médico exemplar, mais voltado a fazer experiências para descobrir curas para doenças que até então não tinham remédio.

Conheceu Justine em um museu, quando fazia uma viagem para o exterior, e eles se casaram um ano depois.

Infelizmente, a felicidade dos dois durou apenas dois anos, pois ela contraiu uma doença fatal que parecia não haver nenhum tratamento. Steven passou a dedicar todo o seu tempo para achar um modo de curá-la. No começo ele dividia seu tempo entre cuidar dela e fazer suas experiências, mas conforme o tempo foi passando, ela só piorava, ele contratou uma enfermeira para ficar com ela e passava quase todo o seu tempo no seu laboratório entre frascos, livros, ervas e químicas. Para conseguir ficar acordado por mais tempo, ele começou a tomar drogas e já era difícil saber qual dos dois estava em pior condição.

Tudo o que ele achava que podia funcionar, ele lhe dava, e ela tomava, pois  não queria morrer e estava disposta a provar tudo o que lhe fosse oferecido.

Após dois meses dessa rotina, Steven começou a ter a impressão de que o que ele lhe dava só piorava ainda mais a situação. A doença estava evoluindo mais rapidamente do que nos outros pacientes e em pouco tempo ela morreu enquanto Steven estava no seu laboratório.

A morte de Justine foi arrebatadora. Steven não conseguia se perdoar, achava que ele só piorou as coisas, que ele a matara e ainda mais pelo fato de não ter aproveitado o pouco tempo que tinha ao seu lado. Sem conseguir ficar naquela casa, ele voltou para a casa da mãe.

Sua mãe e seu tio lhe encheram de cuidados e tentaram fazer com que ele visse aquilo como uma coisa natural do ciclo da vida, mas Steven não conseguia aceitar e para piorar seu corpo queria mais das drogas que tomava para ficar acordado. Com tudo isso, ele achou que talvez fosse melhor ir para bem longe.

Foi então que se alistou para ser médico de um navio de guerra. Pouco depois de se alistar, ele foi chamado.

A despedida foi triste. Sua mãe só chorava e seu tio se despediu dizendo que preferiria que ele estivesse fazendo aquilo pela sua pátria e não para fugir dos seus problemas, mas Steven estava decidido.

No navio, a única pessoa de quem ele ficou mais amigo foi de Richard. Os outros gostavam dele, afinal, ele tinha a solução para as suas dores, mas não conversavam com ele como Richard. Seu corpo ainda queria a droga, mas estando ali acabou por se acostumar a ficar sem. Justine, porém, era outro tipo de problema. Ainda tinha pesadelos e precisava manter a cabeça constantemente ocupada com algo para não pensar nela.

E então, certo dia, o navio pirata veio…

 

(Steven é um personagem do meu livro O Quarto Mundo, para saber mais sobre o livro clique aqui.)