Soft heart / Bom coração

Janeiro 29, 2015

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“Ter um bom coração em um mundo cruel é coragem e não fraqueza.”

 

Fonte: Hp Lyrikz

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Jamal e Brianna

Julho 11, 2013

Jamal viajou para muitos lugares antes de chegar ao Vale do Rubi.

Primeiro ele tentou se misturar com os humanos para despistar suas irmãs, mas acabava sempre por odiar seus colegas. Não podia evitar de se sentir superior de certa forma, mas ao mesmo tempo sempre encontrava alguém que fazia com que ele se lembrasse da mulher que o salvou e isso era o bastante para que ele controlasse seus instintos. Pensava nela de vez em quando e desejava que estivesse bem.

Depois de um tempo decidiu viver como lobo em uma floresta. Ficou assim por cinco meses até encontrar uma mulher chamada Lydia. Ele a viu caminhando pela floresta e a seguiu. Não era comum ver pessoas por ali. A mulher parou em um local, meditou, depois começou a fazer movimentos que ele reconheceu como sendo tai chi. Quando ela terminou todo ritual, ela se virou para ele. Jamal se colocou em posição de defesa imediatamente, não sabia que ela o tinha visto, mas ela sorriu e perguntou se ele precisava conversar. O lobo hesitou por um momento, se aproximou com passos cautelosos e mostrando os dentes. A mulher não se intimidou, continuou ali parada olhando para ele. Fazia tanto tempo desde que Jamal havia conversado com alguém que resolveu arriscar. Voltou a sua forma humana e a primeira coisa que fez foi perguntar como ela sabia. Lydia respondeu que era um dom e perguntou há quanto tempo ele vivia na floresta e como um lobisomem puro estava sem sua matilha. Jamal não pretendia contar sua vida para uma estranha e ela não insistiu, só disse que se ele quisesse um trabalho e se quisesse viver entre semelhantes ele podia procurá-la. Ela lhe deu seu cartão e foi embora.

Jamal passou um dia inteiro pensando sobre a proposta. No final decidiu que não queria viver naquela floresta como lobo para sempre e se aquilo fosse uma armadilha das suas irmãs, então que fosse, talvez ele as mataria como fez com os outros e acabaria com aquilo.

No endereço que a mulher lhe deu havia uma loja de produtos naturais. Assim que abriu a porta e ouviu um sininho tocar, sabia que não conseguiria trabalhar ali. Jamal foi direto ao assunto, perguntou que tipo de trabalho ela estava falando. A mulher explicou que no seu ramo de trabalho ela conhecia muitas pessoas e que poderia ajudá-lo a achar algo, claro que não pela bondade do seu coração, mas por um pequeno preço. Jamal foi logo dizendo que não tinha dinheiro, mas ela respondeu que podia esperar até que ele arrumasse o trabalho e ele poderia pagar depois. Ele aceitou e eles conversaram sobre o que Jamal sabia fazer. O problema era que o que Jamal sabia fazer como arqueólogo não era muito útil por aquelas partes. Sendo assim, ela perguntou se ele se incomodaria em fazer um trabalho como lavar louça em um pub ou ser barista. Ele deu com os ombros, achava que poderia tentar. Ela lhe assegurou que as pessoas, tanto dono quanto fregueses eram como ele, diferentes, e por isso ele não teria problemas. Lydia o enviou ao Vale do Rubi para trabalhar com Brianna e seu pai.

Lydia estava certa. Todos que entravam ali, com exceção de alguns desavisados, eram seus semelhantes. Pela primeira vez em muito tempo se sentia bem. Brianna lhe ensinou tudo o que tinha que saber, não que fosse muito difícil, mas mesmo assim seu pai gostava das coisas bem feitas. Os dois ficaram amigos e logo já sabiam tudo um do outro, até aquilo que ninguém mais sabia. Quando Jamal lhe disse de suas preocupações com suas irmãs que, até onde ele sabia, podiam aparecer ali a qualquer momento, Brianna simplesmente respondeu que se elas aparecessem, eles cuidariam delas. E ele não estava errado.

Um dia, quando todos dormiam, ele ouviu um uivo. Saltou da cama imediatamente e correu para fora do pub. Ali estavam, eram as duas com mais dois machos. Ele mal teve tempo de se transformar quando todos já saltavam em cima dele. Jamal não sabia quem o mordia e quem ele estava atacando, só sabia que sentia o gosto de sangue na boca, tinha certeza de que morreria ali, mas levaria pelo menos um deles com ele. Então ele viu uma movimentação que não soube dizer o que era, um dos lobos simplesmente desaparecera no ar como se tivesse sido jogado longe. Os outros lobos se dispersaram e ele viu Brianna com o rosto desfigurado, presas grandes e pontudas como as de uma serpente e os olhos amarelos. Do seu lado estava quem só poderia ser seu pai, mas ele nunca diria se não soubesse. Era um demônio em todos os aspectos, mas não foi o suficiente para espantar suas irmãs. Elas os estudaram um pouco, então uma delas voltou a forma humana dizendo em seguida que aquilo não era um problema deles, que Jamal traiu e matou sua família e que ele faria o mesmo com eles. Brianna não lhe deu uma resposta, saltou em cima dela e enquanto a mulher voltava a ser um lobo, enfiou suas presas no seu pescoço e a batalha se seguiu. Jamal não tinha mais condições de lutar, se afastou mancando enquanto Brianna e seu pai cuidavam do resto, mas sua irmã não o deixou ir. A loba estava sofrendo com o veneno de Brianna, seu corpo se estava decompondo aos poucos, mesmo assim, ela ainda conseguiu derrubá-lo. A última coisa que Jamal viu foi a cabeça da loba se desgrudando do seu corpo. Rolou os olhos e viu uma foice e um homem. Era o único hóspede do pub naquela noite. Seu nome era Jean.

(Jamal e Brianna são personagens do livro C.S. que você pode comprar aqui).

Susan

Maio 1, 2013

Susan era uma garçonete em um pequeno bar. Todas as sextas-feiras uma banda de quatro rapazes tocava ali. O vocalista da banda sempre flertava com Susan, mas ela não lhe dava muita atenção, até que um dia ele a convidou para ouvi-los tocar em um local famoso da cidade. Impressionada, ela aceitou o convite.

Esse foi o começo do relacionamento deles e tudo foi como um sonho para a moça, mas depois de um ano as coisas mudaram. Os companheiros da banda do seu namorado começaram a usar drogas, não que antes não usavam, mas usavam menos e com menos frequência, agora era sempre, todo dia, e ele também. Susan não gostava das drogas, mas gostava dos presentes e da atenção que ganhava, por isso continuou com ele.

Certo dia, quando Susan entrou no apartamento do seu namorado, ele não parecia nada bem. Ela não sabia o que ele tinha fumado ou injetado, não importava, o que importava era que estava descontrolado. Agia como se alguém o estivesse perseguindo, gritava para que o deixassem em paz e estava com uma faca em mãos. Susan se assustou com a cena e estava para ir embora quando ele pulou na sua frente com os olhos arreglados de terror. Susan deu alguns passos para trás, tropeçou na mesa de centro caindo ao chão e foi se arrastando para trás. Ele foi para cima dela como um touro, ela fez o que pode para desviar, mas não conseguiu. A faca entrou no seu abdômen e ela soltou um gemido abafado enquanto ainda tentava se afastar dele. O rapaz alucinado ficou olhando para o sangue que escorria no tapete e esqueceu dela.

Susan continuou se afastando, queria alcançar o telefone, mas quanto mais se mexia, mais sangrava e sentia uma dor imensa. Seus olhos queriam fechar, mas ela não queria tirar os olhos dele, que continuava imóvel, sem piscar. A visão da moça começou a embaçar, não sabia se pelas lágrimas ou porque estava morrendo. Então, viu um vulto, achou que era ele e tentou ir para longe, mas não tinha forças. A pessoa chegou bem perto dela, não era ele. Era uma mulher. Ela lhe tocou o rosto e Susan se encontrou em pé no meio do apartamento; o rapaz ainda estava lá, assim como seu corpo caído. Olhou para ela mesma, estava suja de sangue e Christa estava na sua frente.  A mulher se apresentou, Susan perguntou se tinha morrido, Christa respondeu que ainda não, mas que ela poderia salvá-la. Ela colocou sua mão sobre a mão de Susan e falou que ela estava ali para ajudá-la a se vingar daquele que a matou, tudo o que ela pedia em troca era que ela a ajudasse na sua vingança também. Susan relutou, olhou em torno ainda tentando entender o que estava acontecendo, Christa lhe disse que não tinha muito tempo, precisava decidir antes de morrer. A garota perguntou o que aconteceria com ela, Christa respondeu que ela viveria, mas seria uma sua súdita e quando o momento chegasse ela deveria subir à morada dos Deuses, acrescentou dizendo que todo o tempo que elas passassem na terra se preparando ela poderia usar para se vingar e que nunca envelheceria. Susan respondeu que não queria ser escrava de ninguém, Christa disse que não seria escrava, no momento em que ela decidisse deixá-la, ela a liberaria, mas isso iria significar a concretização da sua morte, a escolha era dela, morrer agora ou alongar a “vida”. Susan não precisou de mais do que isso e aceitou o acordo.

Christa pegou na sua mão e a moça foi se sentindo mais viva e no entanto ali estava o seu corpo, agora morto. Tocou a parede para ver se ela era real, se era sólida e era! Estava um pouco tonta, mas não sentia dor. Então percebeu que o rapaz tinha ido embora, Christa viu o ódio em seu olhar e acalmou dizendo que elas o encontrariam em qualquer lugar. A mulher tocou o ombro de Susan e então elas estavam em uma rua escura com alguns mendigos dormindo em um canto com um fogo para aquecê-los e ao longe Susan viu um homem vindo na direção delas. Ele tinha o passo apressado como se estivesse fugindo. Christa foi até ele, quando a luz do fogo  iluminou o rosto do rapaz, Susan corou de ódio. Era ele! Ela se aproximou, mas logo percebeu que ele não a via. Christa estava na sua frente, com uma seringa na mão, ela não lhe disse nada, só colocou a seringa em suas mãos. Ele pegou, sem relutância, o que Susan achou estranho. Ali, na frente delas, ele injetou o conteúdo da seringa e em seguida caiu no chão agonizando. Feridas em carne viva começaram a aparecer no seu rosto, seus gritos chamaram a atenção dos mendigos que devagar começaram a se aproximar e Susan notou que eles não olhavam para elas. Christa tocou seu ombro novamente e elas estavam na sua casa. A moça se afastou dela perguntando quem ela era de verdade, ao que Christa respondeu prontamente, contando toda a sua história. Susan ainda desconfiava e questionou se aquilo que ela viu não fora um sonho ou algum de tipo de ilusão. Queria ter certeza de que aquilo realmente tinha acontecido. Christa, sempre paciente, concordou e disse para ela procurar por ele, tomando cuidado, pois para o mundo ela estava morta.

Susan colocou um lenço na cabeça, óculos escuros e foi para o hospital mais próximo da casa dele, afinal, se aquilo tudo foi real, era para lá que ele seria levado. Chegando lá, ela deu o nome do rapaz dizendo que era uma sua amiga e dando outro nome qualquer. A enfermeira a encaminhou, ele estava lá.

Ela o viu, pela janela de vidro do quarto, feridas enormes cobrindo, não só seu rosto, mas também suas mãos e pescoço. Um sorriso sutil nasceu nos lábios de Susan, o rapaz virou a cabeça para o lado, ela tirou os óculos e o lenço, queria que ele a visse e ele a viu. Seus olhos se encheram de terror, ela lhe fez um aceno com a mão e o seu sorriso de alargou. O rapaz apertou o botão desesperadamente para chamar a enfermeira. Ela deu as costas e foi embora se sentindo poderosa.

Susan correu para casa ansiosa para ver Christa novamente, chamou por ela e quando esta apareceu, ela lhe perguntou imediatamente o que mais poderiam fazer com ele, Christa respondeu que poderiam fazer o que ela quisesse. Susan lhe disse que faria qualquer coisa por ela, jurou lealdade e obediência e elas partiram para o Vale do Rubi onde Susan e outras como ela seriam treinadas pela própria Christa e de vez em quando sairiam para atormentar aqueles que as mataram.

(Essa é uma personagem do livro C.S. que você pode encontrar aqui.)

Jamal

Março 13, 2013

Jamal fazia parte de uma matilha onde eram todos arqueólogos. Durante o dia eles escavavam, mas durante a noite era diferente. A matilha de Jamal era pura, ou seja: todos nasceram lobisomens, portanto não tinham problemas com a lua. Se transformavam quando queriam e sabiam muito bem o que estavam fazendo. Toda noite eles saiam juntos para caçar, não que precisassem, mas gostavam, era como um jantar em família. Certa noite lá estavam eles, seis lobos, dois homens e quatro mulheres. Uma delas era a mãe de Jamal, as outras eram suas irmãs e o outro homem era seu pai. Eles estavam no Egito, passavam o dia no deserto em meio às pirâmides, mas a noite voltavam para a cidade e quando a madrugava reinava eles saiam como lobos. Não tinham uma presa definida, qualquer tipo de carne servia, podia ser outro animal, carnívoro ou herbívoro, voador ou mesmo um humano.

Eles andavam pelas ruas com uma certa distância entre si, evitando qualquer lugar movimentado, preferiam não causar estupor e nunca tiveram problemas, pois ninguém sobrevivia a um encontro com eles. No dia seguinte o que sobrava do corpo assustava alguém que teve a infelicidade de passar pelo local, às vezes conseguiam identificar o corpo, às vezes não, mas não havia modo de dizer o que ou quem fez aquilo. Não caçavam sempre no mesmo lugar, pois sabiam que se muitas mortes acontecessem em um mesmo lugar, a segurança naquela área poderia aumentar, por isso sempre mudavam de lugar.

Lá estavam eles, descendo escadas, passando por ruas estreitas e subindo ladeiras, quando avistaram um homem bêbado que estava sendo jogado para fora de um bar, devia ter entrado em uma briga, pois seu nariz sangrava. Ele se levantou xingando o dono do bar, cuspiu sangue e saiu cambaleando. A matilha o seguiu, eles se separaram para cercá-lo. O homem virou uma esquina e entrou em uma ruela, o lugar perfeito. Os seis se aproximaram lentamente, três por um lado da rua e três pelo outro. O pai de Jamal saltou em cima do homem e os outros acompanharam. O homem nem chegou a ver o que havia acontecido, já estava no chão tendo sua jugular estraçalhada, porém, o homem havia gritado ao cair. As vítimas sempre gritam, mas dessa vez alguém ouviu e foi ver o que era. E não era uma pessoa qualquer, era um soldado armado.

Quando o soldado virou na rua, viu a cena, seis lobos se alimentando de um homem, o horror e a surpresa durou pouco. Ele já estava com a arma pronta para atirar, não conhecia nada sobre lobos, achou que se atirasse em um os outros fugiriam e talvez o homem ainda estivesse vivo. Ele disparou. A bala entrou no flanco esquerdo de Jamal, ele soltou um ganido, os outros pararam de comer e imediatamente saltaram para cima do soldado. Jamal se arrastou para longe do local até não aguentar mais e cair quase desmaiado. Segundos depois ele ouviu alguns passos ao longe e um grito abafado de surpresa. Sentiu uma mão acariciar seu pelo, foi colocado em cima de um pedaço de pano e foi arrastado para longe.

Quando Jamal acordou estava em um pequeno quarto. Ainda como lobo, ele levantou a cabeça e viu uma mulher de costas lavando panos empapados de sangue.  A moça se virou e foi até ele com um sorriso, conversou com ele de modo carinhoso passando a mão na sua cabeça e colocou um curativo limpo na sua ferida. Ela lhe deu água, comida e depois saiu dizendo que voltava logo. Jamal tentou se levantar, mas não conseguiu, percebeu que teria que ficar ali até melhorar, o que não demoraria muito visto que seres como ele se regeneram mais rápido.

Após cinco dias, Jamal já conseguia ficar de pé. Não podia correr ou saltar, mas consegui andar de um lado para o outro. Pensou em ir embora quando a moça fosse dormir, mas disse a si mesmo que ainda precisava se recuperar e ficou mais um pouco.

Então chegou o dia em que ele já estava recuperado e não havia mais desculpas para ficar. A moça claramente não tinha intenção de colocá-lo para fora, sempre que estava em casa, ela conversava com ele e lhe fazia carinho. Então Jamal dizia para si mesmo, amanhã eu vou, mas amanhã nunca chegava.

Certo dia, já tarde da noite, Jamal sentiu um cheiro que o fez saltar da cama. Era sua família; estavam perto. Muito perto. Deviam estar a sua procura. A moça dormia com a janela aberta por causa do calor. Jamal ficou em dúvida se deveria acordá-la ou lidar com aquilo sozinho. Não demorou muito para decidir, visto que o cheiro ficava cada vez mais forte. Pela primeira vez em muitos dias, ele voltou a sua forma humana, a primeira coisa que fez foi correr até a janela, mas já era tarde. Dois lobos pularam pela janela e em seguida vieram os outros três.

Jamal deu alguns passos para trás, não sabia o que dizer e era obvio que eles não entenderam o que ele estava fazendo ali, não estava ferido e parecia esconder algo. Não tiveram que procurar o que era, a moça saiu do quarto e quando viu cinco lobos e um homem na sua sala, ficou em choque, estava para fechar a porta do quarto quando um dos lobos saltou em cima dela derrubando-a no chão. Jamal voltou a sua forma de lobo e atacou aquele que estava em cima da moça, era uma de suas irmãs. A moça se arrastou para longe e se encolheu em um canto, os dois lobos ficaram andando em círculo por um tempo rosnando um para o outro, Jamal percebeu que os outros estavam vindo na sua direção, se ele quisesse ter alguma chance de salvar aquela mulher tinha que atacar, e assim ele fez. Atacou sua irmã e em seguida os outros lobos entraram na briga.

A moça aproveitou a briga e se esgueirou para fora do quarto, saiu correndo até chegar do outro lado da rua e então parou. Só então conseguiu assimilar o que tinha acontecido, o lobo era o homem, ele a estava defendendo e iria morrer. Ela voltou correndo, entrou em casa e pegou uma faca na cozinha; andou devagar, ainda ouvia rosnados, a primeira coisa que viu foi um dos lobos mortos, mas não era o seu, o seu tinha as patas pretas. Continuou andando, outro lobo estava acuado em um canto, sangrava, mas ainda respirava. Também não era o seu. Empurrou a porta do quarto, Jamal estava entre a parede e os outros três lobos. Assim que a mulher entrou, os lobos se viraram, um deles correu até ela, ela colocou a faca na sua frente e quando o lobo saltou a lâmina entrou na barriga do animal. Os dois caíram no chão, o lobo morto em cima dela. Antes mesmo que ela pudesse jogá-lo para o lado, outro lobo mordeu sua perna e ela soltou um grito. Ouviu mais rosnados e o som de choro de animal, quando conseguiu empurrar o animal para o lado, tirou a faca do seu peito e então sentiu uma dor lacerante nas suas costas. Ela viu de relance Jamal caído. Com o resto de força que tinha, ela conseguiu fazer um corte na perna do animal, que a soltou. O grito da moça fez com que os vizinhos viessem ver o que estava acontecendo e nessa hora entraram dois homens com pedaços de madeira nas mãos. Jamal escutou a chegada dos homens, bem antes deles entrarem na casa e por isso voltou a sua forma humana, sabia que o matariam se o vissem como lobo. Eles entraram e os dois lobos que ainda estavam vivos, conseguiram escapar, visto que Jamal gritou para eles os deixarem ir e cuidarem da mulher.

Jamal e a moça foram levados  para o hospital. Ele se recuperou muito mais rápido do que ela e não tinha nenhuma intenção de ficar por ali. Duas de suas irmãs tinham sobrevivido e ele as conhecia muito bem para saber que elas não deixariam aquilo barato. Deixou um bilhete para a mulher se mudar e evitar andar por lugares isolados a noite. Não explicou nada, não disse seu nome nem quem era e foi embora.

(Jamal é um personagem do meu livro C.S. para comprar o livro clique aqui)

Marina Sandoval

Courage / Coragem

Fevereiro 26, 2013

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“A coragem nem sempre vem como um rugido. às vezes, a coragem é uma voz calma no fim do dia dizendo: vou tentar de novo amanhã.” Mary Anne Radmacher

 

Via I can read

Brianna

Fevereiro 13, 2013

Brianna descobriu seu lado demoníaco aos 13 anos. Na época ela e seu pai vivam em um trailer, sempre viajando. Ela sempre gostou da biblioteca e um dia ficou ali até mais tarde, quando estava voltando para o trailer passou na frente de cinco meninos. Ela atravessou a rua, mas percebeu que eles começaram a vir atrás, então correu. Correu o mais rápido que conseguia, largou os livros que tinha nas mãos e continuou correndo, mas então uma dor aguda no seu peito a fez parar. Ela caiu de joelhos e sentiu as gengivas rasgarem e os dedos pulsarem de dor. Os meninos a alcançaram,  mas quando um deles colocou a mão no seu ombro, ela avançou para cima dele como um animal acuado, rasgando sua garganta com os dentes. Os outros estavam para fugir, mas ela não deixou. Abriu as costas de um deles com as unhas e quebrou o pescoço de outro. Os outros dois já estavam longe. Ela correu atrás deles, correu tão rápido que voou para cima deles fazendo os dois rolarem pelo chão. Brianna arranhou o rosto de um e arrancou o coração do outro. Ficou ali, ofegante, com sangue por todos os lados. Quando olhou para o menino com o rosto rasgado viu que ele ainda estava vivo, mas estava se decompondo, se decompunha vivo. Um pequeno sorriso nasceu no seu rosto, mas ela logo ela voltou em si. Ouviu vozes ao longe, olhou em torno mais uma vez e saiu correndo.

Quando seu pai abriu a porta do trailer viu Brianna parada com os olhos amarelos e vazios. Sua roupa, seu rosto, seus braços, tudo sujo de sangue. Ele a colocou para dentro enquanto se certificava que não havia ninguém por perto. Perguntou se ela estava machucada, mas ela não respondia. Depois de procurar pelo corpo da menina, chegou a conclusão de que o sangue não era dela. Ela não precisava falar, ele sabia o que tinha acontecido. Colocou a menina sentada no banco da frente e deu partida. Precisavam sair dali.

Seu pai dirigiu por 12h seguidas.  Depois de um tempo no carro, Brianna acabou dormindo. Ele parou na beira de uma estrada deserta e a acordou dizendo que ela precisava tirar aquelas roupas e ir se lavar.  Ela obedeceu apaticamente e enquanto ela tomava banho, ele queimou as roupas na beira da estrada. Quando voltou para o trailer se ajoelhou na frente da filha e pediu desculpas, sabia que aquilo aconteceria mais cedo ou mais tarde, mas achou que tinha mais tempo e não sabia como contar para ela que ela era meio demônio. Depois de ouvir seu pai ela só lhe fez uma pergunta, que era por que o rosto do menino começou a se decompor. Seu pai lhe explicou que ela, assim como ele, era venenosa, como uma cobra ou aranha, e esse era o efeito do seu veneno. Não demorou muito para Brianna entender que foi o seu veneno que matou sua mãe quando ela nasceu e seu pai não pode negar. Depois que ela contou exatamente o que aconteceu, ele tentou amenizar o ocorrido dizendo que ela estava se defendendo, mas esse não era o problema, ela sabia disso, não se sentia mal por ter matado os meninos, se sentia mal porque tinha gostado.

Os dias passaram e eles não pararam de viajar. Aos poucos seu humor foi melhorando, principalmente com seu pai treinando seu autocontrole. Certo dia foram parar no Vale do Rubi, seu pai tinha um velho amigo que morava ali. Brianna gostou do lugar e seu pai decidiu que eles ficariam ali; vendeu o trailer e com o dinheiro comprou um bar caindo aos pedaços. Seu amigo o ajudou a reformar o bar e Brianna e seu pai se estabeleceram ali.

(Brianna é uma personagem do livro C.S., para comprar o e-book clique aqui.)

O menino

Julho 8, 2012

Você decide ir para esquerda. O corredor é circular, então você não consegue ver muito adiante. No começo caminha com cuidado, mas a ansiedade toma conta e você corre, até dar de cara com o menino que estava no seu sonho. “Onde está a caixa que eu te mandei?”. Você gagueja e balbucia algo incompreensível. “Espero que você a tenha guardado! Vamos precisar dela.”

“Eu… eu… eu… joguei fora…”

“Bom, então você vai ter que voltar e recuperá-la. Você conhece a lenda da lâmpada mágica? Deve conhecer, pois bem, imagine que a caixa que eu te mandei, é como uma lâmpada mágica e eu seria o gênio, só que não é tão simples quanto parece. Existem muitas caixas e recentemente eu estou tendo que obedecer as ordens de uma pessoa que não é… como direi… não é muito ética. Por isso estive procurando por alguém que parecesse ter… ética o bastante para me livrar desse homem. É aí que você entra. Agora volte e ache a caixa.”

Você começa a falar algo como “Como assim…”, mas antes que conseguisse terminar você sente seu corpo cair até se bater na sua cama. Você coloca as mãos no seu rosto e corre para o banheiro, se olha no espelho, como quem quer ter certeza que é quem pensa que é. Você olha o relógio, são 1:05h.

O que você faz?

1. Corre para ver se a caixa ainda está no lixo.

2. Volta para a cama.

3. Liga para alguém.