Oi pessoal, dessa vez não estou aqui para falar do C.S., mas sim para divulgar o livro de uma amiga. O livro chama Dos passos da bailarina, vou colar a sinopse aqui:

As histórias de uma bailarina adulta, estudos sobre a dança clássica, repertórios e discussões sobre o ballet clássico são os temas que norteiam o livro, que reúne textos publicados no blog “Dos passos da bailarina” entre 2009 e 2013.

Vale muito a pena. Está disponível em Ebook no Clube de Autores.

😉

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Susan

Maio 1, 2013

Susan era uma garçonete em um pequeno bar. Todas as sextas-feiras uma banda de quatro rapazes tocava ali. O vocalista da banda sempre flertava com Susan, mas ela não lhe dava muita atenção, até que um dia ele a convidou para ouvi-los tocar em um local famoso da cidade. Impressionada, ela aceitou o convite.

Esse foi o começo do relacionamento deles e tudo foi como um sonho para a moça, mas depois de um ano as coisas mudaram. Os companheiros da banda do seu namorado começaram a usar drogas, não que antes não usavam, mas usavam menos e com menos frequência, agora era sempre, todo dia, e ele também. Susan não gostava das drogas, mas gostava dos presentes e da atenção que ganhava, por isso continuou com ele.

Certo dia, quando Susan entrou no apartamento do seu namorado, ele não parecia nada bem. Ela não sabia o que ele tinha fumado ou injetado, não importava, o que importava era que estava descontrolado. Agia como se alguém o estivesse perseguindo, gritava para que o deixassem em paz e estava com uma faca em mãos. Susan se assustou com a cena e estava para ir embora quando ele pulou na sua frente com os olhos arreglados de terror. Susan deu alguns passos para trás, tropeçou na mesa de centro caindo ao chão e foi se arrastando para trás. Ele foi para cima dela como um touro, ela fez o que pode para desviar, mas não conseguiu. A faca entrou no seu abdômen e ela soltou um gemido abafado enquanto ainda tentava se afastar dele. O rapaz alucinado ficou olhando para o sangue que escorria no tapete e esqueceu dela.

Susan continuou se afastando, queria alcançar o telefone, mas quanto mais se mexia, mais sangrava e sentia uma dor imensa. Seus olhos queriam fechar, mas ela não queria tirar os olhos dele, que continuava imóvel, sem piscar. A visão da moça começou a embaçar, não sabia se pelas lágrimas ou porque estava morrendo. Então, viu um vulto, achou que era ele e tentou ir para longe, mas não tinha forças. A pessoa chegou bem perto dela, não era ele. Era uma mulher. Ela lhe tocou o rosto e Susan se encontrou em pé no meio do apartamento; o rapaz ainda estava lá, assim como seu corpo caído. Olhou para ela mesma, estava suja de sangue e Christa estava na sua frente.  A mulher se apresentou, Susan perguntou se tinha morrido, Christa respondeu que ainda não, mas que ela poderia salvá-la. Ela colocou sua mão sobre a mão de Susan e falou que ela estava ali para ajudá-la a se vingar daquele que a matou, tudo o que ela pedia em troca era que ela a ajudasse na sua vingança também. Susan relutou, olhou em torno ainda tentando entender o que estava acontecendo, Christa lhe disse que não tinha muito tempo, precisava decidir antes de morrer. A garota perguntou o que aconteceria com ela, Christa respondeu que ela viveria, mas seria uma sua súdita e quando o momento chegasse ela deveria subir à morada dos Deuses, acrescentou dizendo que todo o tempo que elas passassem na terra se preparando ela poderia usar para se vingar e que nunca envelheceria. Susan respondeu que não queria ser escrava de ninguém, Christa disse que não seria escrava, no momento em que ela decidisse deixá-la, ela a liberaria, mas isso iria significar a concretização da sua morte, a escolha era dela, morrer agora ou alongar a “vida”. Susan não precisou de mais do que isso e aceitou o acordo.

Christa pegou na sua mão e a moça foi se sentindo mais viva e no entanto ali estava o seu corpo, agora morto. Tocou a parede para ver se ela era real, se era sólida e era! Estava um pouco tonta, mas não sentia dor. Então percebeu que o rapaz tinha ido embora, Christa viu o ódio em seu olhar e acalmou dizendo que elas o encontrariam em qualquer lugar. A mulher tocou o ombro de Susan e então elas estavam em uma rua escura com alguns mendigos dormindo em um canto com um fogo para aquecê-los e ao longe Susan viu um homem vindo na direção delas. Ele tinha o passo apressado como se estivesse fugindo. Christa foi até ele, quando a luz do fogo  iluminou o rosto do rapaz, Susan corou de ódio. Era ele! Ela se aproximou, mas logo percebeu que ele não a via. Christa estava na sua frente, com uma seringa na mão, ela não lhe disse nada, só colocou a seringa em suas mãos. Ele pegou, sem relutância, o que Susan achou estranho. Ali, na frente delas, ele injetou o conteúdo da seringa e em seguida caiu no chão agonizando. Feridas em carne viva começaram a aparecer no seu rosto, seus gritos chamaram a atenção dos mendigos que devagar começaram a se aproximar e Susan notou que eles não olhavam para elas. Christa tocou seu ombro novamente e elas estavam na sua casa. A moça se afastou dela perguntando quem ela era de verdade, ao que Christa respondeu prontamente, contando toda a sua história. Susan ainda desconfiava e questionou se aquilo que ela viu não fora um sonho ou algum de tipo de ilusão. Queria ter certeza de que aquilo realmente tinha acontecido. Christa, sempre paciente, concordou e disse para ela procurar por ele, tomando cuidado, pois para o mundo ela estava morta.

Susan colocou um lenço na cabeça, óculos escuros e foi para o hospital mais próximo da casa dele, afinal, se aquilo tudo foi real, era para lá que ele seria levado. Chegando lá, ela deu o nome do rapaz dizendo que era uma sua amiga e dando outro nome qualquer. A enfermeira a encaminhou, ele estava lá.

Ela o viu, pela janela de vidro do quarto, feridas enormes cobrindo, não só seu rosto, mas também suas mãos e pescoço. Um sorriso sutil nasceu nos lábios de Susan, o rapaz virou a cabeça para o lado, ela tirou os óculos e o lenço, queria que ele a visse e ele a viu. Seus olhos se encheram de terror, ela lhe fez um aceno com a mão e o seu sorriso de alargou. O rapaz apertou o botão desesperadamente para chamar a enfermeira. Ela deu as costas e foi embora se sentindo poderosa.

Susan correu para casa ansiosa para ver Christa novamente, chamou por ela e quando esta apareceu, ela lhe perguntou imediatamente o que mais poderiam fazer com ele, Christa respondeu que poderiam fazer o que ela quisesse. Susan lhe disse que faria qualquer coisa por ela, jurou lealdade e obediência e elas partiram para o Vale do Rubi onde Susan e outras como ela seriam treinadas pela própria Christa e de vez em quando sairiam para atormentar aqueles que as mataram.

(Essa é uma personagem do livro C.S. que você pode encontrar aqui.)

Brianna

Fevereiro 13, 2013

Brianna descobriu seu lado demoníaco aos 13 anos. Na época ela e seu pai vivam em um trailer, sempre viajando. Ela sempre gostou da biblioteca e um dia ficou ali até mais tarde, quando estava voltando para o trailer passou na frente de cinco meninos. Ela atravessou a rua, mas percebeu que eles começaram a vir atrás, então correu. Correu o mais rápido que conseguia, largou os livros que tinha nas mãos e continuou correndo, mas então uma dor aguda no seu peito a fez parar. Ela caiu de joelhos e sentiu as gengivas rasgarem e os dedos pulsarem de dor. Os meninos a alcançaram,  mas quando um deles colocou a mão no seu ombro, ela avançou para cima dele como um animal acuado, rasgando sua garganta com os dentes. Os outros estavam para fugir, mas ela não deixou. Abriu as costas de um deles com as unhas e quebrou o pescoço de outro. Os outros dois já estavam longe. Ela correu atrás deles, correu tão rápido que voou para cima deles fazendo os dois rolarem pelo chão. Brianna arranhou o rosto de um e arrancou o coração do outro. Ficou ali, ofegante, com sangue por todos os lados. Quando olhou para o menino com o rosto rasgado viu que ele ainda estava vivo, mas estava se decompondo, se decompunha vivo. Um pequeno sorriso nasceu no seu rosto, mas ela logo ela voltou em si. Ouviu vozes ao longe, olhou em torno mais uma vez e saiu correndo.

Quando seu pai abriu a porta do trailer viu Brianna parada com os olhos amarelos e vazios. Sua roupa, seu rosto, seus braços, tudo sujo de sangue. Ele a colocou para dentro enquanto se certificava que não havia ninguém por perto. Perguntou se ela estava machucada, mas ela não respondia. Depois de procurar pelo corpo da menina, chegou a conclusão de que o sangue não era dela. Ela não precisava falar, ele sabia o que tinha acontecido. Colocou a menina sentada no banco da frente e deu partida. Precisavam sair dali.

Seu pai dirigiu por 12h seguidas.  Depois de um tempo no carro, Brianna acabou dormindo. Ele parou na beira de uma estrada deserta e a acordou dizendo que ela precisava tirar aquelas roupas e ir se lavar.  Ela obedeceu apaticamente e enquanto ela tomava banho, ele queimou as roupas na beira da estrada. Quando voltou para o trailer se ajoelhou na frente da filha e pediu desculpas, sabia que aquilo aconteceria mais cedo ou mais tarde, mas achou que tinha mais tempo e não sabia como contar para ela que ela era meio demônio. Depois de ouvir seu pai ela só lhe fez uma pergunta, que era por que o rosto do menino começou a se decompor. Seu pai lhe explicou que ela, assim como ele, era venenosa, como uma cobra ou aranha, e esse era o efeito do seu veneno. Não demorou muito para Brianna entender que foi o seu veneno que matou sua mãe quando ela nasceu e seu pai não pode negar. Depois que ela contou exatamente o que aconteceu, ele tentou amenizar o ocorrido dizendo que ela estava se defendendo, mas esse não era o problema, ela sabia disso, não se sentia mal por ter matado os meninos, se sentia mal porque tinha gostado.

Os dias passaram e eles não pararam de viajar. Aos poucos seu humor foi melhorando, principalmente com seu pai treinando seu autocontrole. Certo dia foram parar no Vale do Rubi, seu pai tinha um velho amigo que morava ali. Brianna gostou do lugar e seu pai decidiu que eles ficariam ali; vendeu o trailer e com o dinheiro comprou um bar caindo aos pedaços. Seu amigo o ajudou a reformar o bar e Brianna e seu pai se estabeleceram ali.

(Brianna é uma personagem do livro C.S., para comprar o e-book clique aqui.)

O menino

Julho 8, 2012

Você decide ir para esquerda. O corredor é circular, então você não consegue ver muito adiante. No começo caminha com cuidado, mas a ansiedade toma conta e você corre, até dar de cara com o menino que estava no seu sonho. “Onde está a caixa que eu te mandei?”. Você gagueja e balbucia algo incompreensível. “Espero que você a tenha guardado! Vamos precisar dela.”

“Eu… eu… eu… joguei fora…”

“Bom, então você vai ter que voltar e recuperá-la. Você conhece a lenda da lâmpada mágica? Deve conhecer, pois bem, imagine que a caixa que eu te mandei, é como uma lâmpada mágica e eu seria o gênio, só que não é tão simples quanto parece. Existem muitas caixas e recentemente eu estou tendo que obedecer as ordens de uma pessoa que não é… como direi… não é muito ética. Por isso estive procurando por alguém que parecesse ter… ética o bastante para me livrar desse homem. É aí que você entra. Agora volte e ache a caixa.”

Você começa a falar algo como “Como assim…”, mas antes que conseguisse terminar você sente seu corpo cair até se bater na sua cama. Você coloca as mãos no seu rosto e corre para o banheiro, se olha no espelho, como quem quer ter certeza que é quem pensa que é. Você olha o relógio, são 1:05h.

O que você faz?

1. Corre para ver se a caixa ainda está no lixo.

2. Volta para a cama.

3. Liga para alguém.

O que você faz? – 4

Abril 17, 2012

Você joga a caixa no lixo e volta para casa correndo. Ao entrar em casa você tranca bem a porta e verifica todas as janelas. Você limpa o chá que caiu no chão e lava a xícara que por sorte não quebrou. Você decide tomar uma remedinho para conseguir dormir.

Enquanto você está deitado olhando para o teto, você tenta achar uma solução lógica para tudo aquilo e acaba dormindo. Você sonha que está em um prédio em ruínas, você caminha pelos corredores, sobe escadas, desce escadas e vai parar sempre no mesmo ponto. Você olha em volta e dá um pulo quando vê uma garotinho te olhando. Ele está sujo com as roupas rasgadas, vocês se olham por um tempo e ele sai correndo. Você o segue?

Google não é médico

Outubro 26, 2011

A coisa funciona assim, você sente alguma coisa estranha, você marca uma consulta com o médico, mas a ansiedade é muita e o que você faz: entra no google, coloca os seus sintomas e… O google mostra os resultados mais clicados e estes normalmente são as piores doenças que você pode imaginar. Então um simples furúnculo de repente é um câncer mortal e você já chama o padre e a família achando que seus dias estão contados. Pessoal, google não é médico, assim como o google maps não tem medo e por isso traça caminhos onde você passa em lugares não amigáveis. Então, um conselho, se você estiver sentindo alguma coisa ou se você fez um exame e deu alguma alteração, resista a tentação e não vá procurar no google. Ele pode ter muitas respostas, mas não fez faculdade de medicina 😉

C.S.

Agosto 3, 2011

O rio era muito mais fundo do que parecia, Jamal nadou para cima e para baixo sem subir para pegar ar nenhuma vez. Carlos não se preocupou, tinha certeza que aquele homem sabia cuidar muito bem dele mesmo. Ficou olhando para baixo esperando que Jamal achasse alguma coisa, pois se não encontrasse, não saberia aonde procurar. Talvez eu possa oferecer outra coisa para ela… Seu idiota, o que pode ser mais importante que a alma de alguém! Momentos depois, Jamal veio a superfície, Carlos esticou o braço para ajudá-lo a subir no barco, mas ele não a segurou “Você deve vir comigo, eu não posso encostar no besouro.”

“Então você achou!” Disse Carlos esperançoso.

“Venha logo.”

Carlos se sentiu intimidado com aquela situação “Por que você não pode encostar no besouro?”

“Você só precisa saber que eu não posso.” Jamal, que não era uma pessoa muito paciente, já estava perdendo a calma “Se você não vier por bem, vou ter que ir até aí.”

Carlos olhou para esfera e sentiu seu coração diminuir de tamanho. Ele é amigo dela… Com esse pensamento ele colocou a esfera no bolso do casaco e mergulhou.