Susan

Maio 1, 2013

Susan era uma garçonete em um pequeno bar. Todas as sextas-feiras uma banda de quatro rapazes tocava ali. O vocalista da banda sempre flertava com Susan, mas ela não lhe dava muita atenção, até que um dia ele a convidou para ouvi-los tocar em um local famoso da cidade. Impressionada, ela aceitou o convite.

Esse foi o começo do relacionamento deles e tudo foi como um sonho para a moça, mas depois de um ano as coisas mudaram. Os companheiros da banda do seu namorado começaram a usar drogas, não que antes não usavam, mas usavam menos e com menos frequência, agora era sempre, todo dia, e ele também. Susan não gostava das drogas, mas gostava dos presentes e da atenção que ganhava, por isso continuou com ele.

Certo dia, quando Susan entrou no apartamento do seu namorado, ele não parecia nada bem. Ela não sabia o que ele tinha fumado ou injetado, não importava, o que importava era que estava descontrolado. Agia como se alguém o estivesse perseguindo, gritava para que o deixassem em paz e estava com uma faca em mãos. Susan se assustou com a cena e estava para ir embora quando ele pulou na sua frente com os olhos arreglados de terror. Susan deu alguns passos para trás, tropeçou na mesa de centro caindo ao chão e foi se arrastando para trás. Ele foi para cima dela como um touro, ela fez o que pode para desviar, mas não conseguiu. A faca entrou no seu abdômen e ela soltou um gemido abafado enquanto ainda tentava se afastar dele. O rapaz alucinado ficou olhando para o sangue que escorria no tapete e esqueceu dela.

Susan continuou se afastando, queria alcançar o telefone, mas quanto mais se mexia, mais sangrava e sentia uma dor imensa. Seus olhos queriam fechar, mas ela não queria tirar os olhos dele, que continuava imóvel, sem piscar. A visão da moça começou a embaçar, não sabia se pelas lágrimas ou porque estava morrendo. Então, viu um vulto, achou que era ele e tentou ir para longe, mas não tinha forças. A pessoa chegou bem perto dela, não era ele. Era uma mulher. Ela lhe tocou o rosto e Susan se encontrou em pé no meio do apartamento; o rapaz ainda estava lá, assim como seu corpo caído. Olhou para ela mesma, estava suja de sangue e Christa estava na sua frente.  A mulher se apresentou, Susan perguntou se tinha morrido, Christa respondeu que ainda não, mas que ela poderia salvá-la. Ela colocou sua mão sobre a mão de Susan e falou que ela estava ali para ajudá-la a se vingar daquele que a matou, tudo o que ela pedia em troca era que ela a ajudasse na sua vingança também. Susan relutou, olhou em torno ainda tentando entender o que estava acontecendo, Christa lhe disse que não tinha muito tempo, precisava decidir antes de morrer. A garota perguntou o que aconteceria com ela, Christa respondeu que ela viveria, mas seria uma sua súdita e quando o momento chegasse ela deveria subir à morada dos Deuses, acrescentou dizendo que todo o tempo que elas passassem na terra se preparando ela poderia usar para se vingar e que nunca envelheceria. Susan respondeu que não queria ser escrava de ninguém, Christa disse que não seria escrava, no momento em que ela decidisse deixá-la, ela a liberaria, mas isso iria significar a concretização da sua morte, a escolha era dela, morrer agora ou alongar a “vida”. Susan não precisou de mais do que isso e aceitou o acordo.

Christa pegou na sua mão e a moça foi se sentindo mais viva e no entanto ali estava o seu corpo, agora morto. Tocou a parede para ver se ela era real, se era sólida e era! Estava um pouco tonta, mas não sentia dor. Então percebeu que o rapaz tinha ido embora, Christa viu o ódio em seu olhar e acalmou dizendo que elas o encontrariam em qualquer lugar. A mulher tocou o ombro de Susan e então elas estavam em uma rua escura com alguns mendigos dormindo em um canto com um fogo para aquecê-los e ao longe Susan viu um homem vindo na direção delas. Ele tinha o passo apressado como se estivesse fugindo. Christa foi até ele, quando a luz do fogo  iluminou o rosto do rapaz, Susan corou de ódio. Era ele! Ela se aproximou, mas logo percebeu que ele não a via. Christa estava na sua frente, com uma seringa na mão, ela não lhe disse nada, só colocou a seringa em suas mãos. Ele pegou, sem relutância, o que Susan achou estranho. Ali, na frente delas, ele injetou o conteúdo da seringa e em seguida caiu no chão agonizando. Feridas em carne viva começaram a aparecer no seu rosto, seus gritos chamaram a atenção dos mendigos que devagar começaram a se aproximar e Susan notou que eles não olhavam para elas. Christa tocou seu ombro novamente e elas estavam na sua casa. A moça se afastou dela perguntando quem ela era de verdade, ao que Christa respondeu prontamente, contando toda a sua história. Susan ainda desconfiava e questionou se aquilo que ela viu não fora um sonho ou algum de tipo de ilusão. Queria ter certeza de que aquilo realmente tinha acontecido. Christa, sempre paciente, concordou e disse para ela procurar por ele, tomando cuidado, pois para o mundo ela estava morta.

Susan colocou um lenço na cabeça, óculos escuros e foi para o hospital mais próximo da casa dele, afinal, se aquilo tudo foi real, era para lá que ele seria levado. Chegando lá, ela deu o nome do rapaz dizendo que era uma sua amiga e dando outro nome qualquer. A enfermeira a encaminhou, ele estava lá.

Ela o viu, pela janela de vidro do quarto, feridas enormes cobrindo, não só seu rosto, mas também suas mãos e pescoço. Um sorriso sutil nasceu nos lábios de Susan, o rapaz virou a cabeça para o lado, ela tirou os óculos e o lenço, queria que ele a visse e ele a viu. Seus olhos se encheram de terror, ela lhe fez um aceno com a mão e o seu sorriso de alargou. O rapaz apertou o botão desesperadamente para chamar a enfermeira. Ela deu as costas e foi embora se sentindo poderosa.

Susan correu para casa ansiosa para ver Christa novamente, chamou por ela e quando esta apareceu, ela lhe perguntou imediatamente o que mais poderiam fazer com ele, Christa respondeu que poderiam fazer o que ela quisesse. Susan lhe disse que faria qualquer coisa por ela, jurou lealdade e obediência e elas partiram para o Vale do Rubi onde Susan e outras como ela seriam treinadas pela própria Christa e de vez em quando sairiam para atormentar aqueles que as mataram.

(Essa é uma personagem do livro C.S. que você pode encontrar aqui.)

O que você faz?

Julho 26, 2012

Você sai correndo em disparate. Ainda não consegue ver a lata de lixo, mas ouve o barulho do caminhão e corre ainda mais depressa, o caminhão está indo embora, mas você não desisti, corre e grita para eles pararem. Um dos lixeiros escuta seus gritos e corre na sua direção. Você tenta falar, já sem fôlego “Tem… a caixa… eu… preciso…”

“O quê? Uma caixa. Xi, já vai tá toda amassada. Desculpa.”

“Não… não tem im… importância.”

O homem não entende muito bem, mas vai correndo até o caminhão que se afasta devagar e pede para o motorista parar.

Você caminha até o caminhão e revira o lixo todo amassado, os outros lixeiros te observam. Finalmente você acha a caixa, está completamente deformada, nem pode mais ser chamada de caixa, mas sim de papelão amassado, porém, não importa. Você agradece com um grande sorriso, o lixeiro não sabe o que dizer e você volta para casa caminhando calmamente.

Ao chegar em casa você coloca a caixa em cima da mesa e vai tomar um copo d’água, quando volta para a sala não se surpreende ao ver a caixa montada e inteira em cima da mesa. Você sorri novamente, mas e agora? Será que deve dormir de novo? Como chamar o menino? Muitas dúvidas começam a surgir, e uma em particular, é muito perturbadora, será que deveria ter ido atrás da caixa?

O que você faz?

1. Volta para a cama.

2. Tenta contatar o menino através da caixa.

3. Liga para alguém.

 

“O sorriso é a curva mais bonita no corpo de uma mulher.”

Tirei Daqui

Smile / Sorriso

Julho 31, 2011

“Às vezes a sua alegria é a fonte do seu sorriso, mas outras vezes, o seu sorriso pode ser a fonte da sua alegria.”

 

Não sei a fonte

A canção

Julho 29, 2011

Em um rio distante, um homem navega no seu pequeno barco. Todos os dias ele sai para pescar e enquanto o faz, ele canta. Seu canto ecoa entre as montanhas e chega até os ouvidos de uma mulher que mora em um vale. Ela gosta tanto de ouvir o canto do homem, que todo o dia na mesma hora ela sai de casa e fica esperando a sua voz. Mas um certo dia, no lugar do canto ela escuta um grito. Seu coração congela e ela sai correndo montanha acima sem pensar, ao chegar lá em cima, ela vê o homem caído em cima do seu pequeno barco. Ela vai até ele e logo entende o que aconteceu. Seu pé parece machucado, deve ter caído e desmaiado. Ela não tem forças para tirá-lo do barco, então cuida dele ali mesmo, deixando que as águas os levassem para onde quisesse. Quando a noite já está caindo o homem acorda, e ao ver a mulher que o salvou pergunta “Como você me encontrou?” Ela conta como todas as manhãs escutava a sua cantoria e ele responde “Você sabe o que as palavras significam?”

“Não, mas gostava mesmo assim.”

“Eu pedia para o rio me trazer a mulher certa para mim.”

Ela sorriu e hoje eles cantam uma nova canção juntos, e esta pede que o amor deles nunca morra.

C.S.

Junho 24, 2011

Brianna entrou no pub batendo a porta, o mesmo homem que cuidava do bar quando ela foi ajudar Carlos na floresta, estava lá. Não tinha nenhum cliente, o que significava que já era madrugada “Onde está o seu mais novo amigo?”

Brianna lançou um olhar de desprezo pelo comentário e se sentou “Ele não quis vir comigo…”

“Posso saber de onde vem todo esse interesse?”

“Não é que me interesse tanto.”

“Então devo supor que você seguiu aquele carro que o sequestrou, só por diversão.”

“Só estava tentando ajudar… Talvez eu deva voltar lá, um tempo naquela torre deve fazer com que ele mude de ideia. O que você acha?”

Jamal olhou bem no olho de Brianna, ela odiava quando ele fazia isso, parecia que podia ver tudo o que se passava dentro dela.

“Você quer que eu vá com você?” Ele falou com um sorriso malicioso.

 

Carlos caminhou no escuro, estava em um túnel. Devo estar debaixo da terra. Se for o esgoto, posso sair na rua, mas e se eu me perder aqui. Por um momento pensou em voltar para a torre, afinal, aquele parecia ser o plano de Christa, mas só de pensar em ficar naquela torre esperando alguma coisa ou alguém, o deixava em pânico. Continuou caminhando, em alguns lugares o túnel era muito estreito e ele tinha que passar de lado, não sentia o cheiro de esgoto, sentia cheiro de terra molhada. Depois de algum tempo, apareceram bifurcações e ele girou em vários pontos, aquele lugar parecia um labirinto. Estou preso aqui, nunca vou conseguir voltar! O terror se instalou no corpo de Carlos, não conseguia respirar, se sentia claustrofóbico, queria sair daquele lugar de qualquer jeito, as lágrimas escorriam dos seus olhos sem que ele percebesse. Foi então que ele se lembrou da picada, sua mão doía e pulsava, sentiu o gosto de sangue na sua boca Devia ser um animal venenoso, acabou! Carlos gritou com toda a força que conseguiu achar dentro dele, era sua última esperança, talvez alguém ouviria, mas não apareceu ninguém.

Bailarosa

Fevereiro 23, 2011

Era uma vez uma rosa branca. Ela nasceu por acaso no meio de lírios, como todos sabem, os lírios são bailarinos.

Por isso que na natureza eles são conhecidos como “bailalirios”. De qualquer forma, a rosa branca sonhava durante o dia e de noite se maravilhava com o espetáculo dos seus vizinhos. Seu sonho era dançar como eles, mas eles falavam “Rosas não dançam. Principalmente as brancas!”

Devo dizer que esses comentários deixavam a pequena rosa muito triste. Mas ela não se deixou convencer e todas as noites observava com atenção a dança dos lírios e tentava repetir os movimentos. Uma certa noite, um dos lírios viu a pequena rosa se movimentando e falou “Você não pode se dobrar desse jeito, faz assim, como eu.”. A pequena rosa era só felicidade, finalmente um lírio resolveu lhe ajudar.

Assim, todas as noites ela se aproximava do lírio que a ajudava, não posso dizer que o lírio era carinhoso com ela, porque não era. E por isso a rosa resolveu perguntar “Por que você me ajuda se não acredita em mim?”.

“Porque me doía as pétalas ver você dançando daquele jeito. Mas devo admitir que você está pegando o jeito da coisa.”

A pequena rosa ficou em êxtase com esta observação. Elas continuaram treinando todas as noites. Mas a rosa não praticava só a noite, durante o dia ela fazia exercícios e praticava, enquanto os lírios dormiam ou faziam outras coisas.

Certo dia todos os lírios estavam muito agitados, a rosa perguntou o que estava acontecendo “Em que mundo você vive?”. Perguntou um deles “Daqui uma semana entramos na primavera e temos que fazer o nosso show. Quando começamos o show, os pássaros começam a chegar e dançam com aquele que eles consideram o mais gracioso bailalirio.”

Vendo o olhar perdido e sonhador da pequena rosa, o lírio adicionou uma gota de veneno “Mas você não precisa se preocupar com isso, afinal sua dança é só por diversão. Deve ser bom já saber que os pássaros não vão te escolher, assim você nem fica nervosa.”.

A rosa branca teve um momento de tristeza, um de raiva, um de pena de si mesma seguido de depressão e depois mais raiva. Sua “professora” a viu e em um canto e foi até ela “O que você está fazendo aqui? Temos que treinar a coreografia.”.

“Eu faço parte da coreografia?”. Perguntou a rosa quase sem acreditar nas palavras que saiam da sua boca.

“Você acha que eu sou o tipo de lírio que perde tempo com rosinhas inseguras? Nem precisa responder, eu acho que você treinou muito e tem o direito de participar da coreografia, mas você quem sabe.”.

O lírio estava indo embora quando a rosa foi atrás dele e dizendo que queria muito participar.

A coreografia era mais fácil do que a pequena rosa tinha imaginado, mas é claro que elas tinham que praticar muito até ficar realmente boa. Porém,  para a surpresa da nossa amiga, parecia que só ela achava que os ensaios eram importantes. Os lírios ensaiavam umas ou duas horas e depois iam fazer outras coisas, como arrumar as pétalas e falar sobre como seria excitante se os pássaros voassem com um deles.

A rosa foi atrás da sua “professora”, mas essa também parecia não estar preocupada com a coreografia, pois ela era realmente inquieta com a sua apresentação solo. O motivo pelo qual ela tinha uma apresentação solo, era porque na primavera passada os pássaros a escolheram.

Sendo assim, a rosa praticava sozinha, passava horas e horas ensaiando a coreografia do começo ao fim.

Finalmente o grande dia chegou, todos eram nervosos. Elas começaram a dançar e os pássaros começaram a chegar. A pequena rosa ficou muito surpresa com os erros que os outros bailalirios faziam, mas mesmo assim continuava a sua dança dando o melhor de si. No meio da apresentação elas pararam em pose, era o momento do solo. Pela primeira vez, a rosa não se sentiu inferior a sua “professora”, ou em relação a qualquer  lírios. Não que eles não estavam dançando bem, mas era longe de ser um espetáculo divino.

De qualquer jeito, o solo acabou e elas fizeram a última parte da coreografia, era nessa parte que os pássaros deviam começar a dançar com um deles.

A pequena rosa estava concentrada em não cair, enquanto se equilibrava na ponta de uma de suas folhas, quando viu uma asa perto dela, levantou o olhar e viu os pássaros voando entre elas, mas ela não podia ver em torno de quem “Deve ser alguém perto de mim.”. Ela pensou.

Continuou a dança, faltavam só alguns passos para terminar, no seu último movimento percebeu que os pássaros estavam bem perto dela “Não, não pode ser. Voam perto de mim!”. Ela se sentiu tão esplendorosa que continuou a dançar até depois que a coreografia já tinha terminado.

Porém, pouco a pouco, ela foi parando, ao ver as caras feias dos lírios em torno dela e dos pássaros. Quando eles pararam de dançar um dos lírios se aproximou e disse “Vocês estão loucos? Ela nem é um bailalirio de verdade!”.

“É verdade, ela não é um bailalirio” Disse um dos pássaros “Ela é uma bailarosa.”.

“Não importa o que vocês dizem, ninguém pode nos convencer que essa aí é a que dança melhor.”

“E quem disse que nós escolhemos aquela que dança melhor? Escolhemos aquela que dança com a alma. Pois é isso que faz a diferença. É fácil saber a técnica, é fácil ser naturalmente graciosa, mas só quem dança com alma consegue fazer com que os outros tenham vontade de dançar também.”.

Depois dessa afirmação os pássaros e a pequena rosa branca dançaram e dançaram por muito tempo. E para o desespero dos lírios, depois daquele dia, outras rosas começaram a nascer por ali. Ou melhor, outras bailarosas, pois todas eram delicamente apresentadas a dança pela pequena rosa branca.