Oi pessoal, dessa vez não estou aqui para falar do C.S., mas sim para divulgar o livro de uma amiga. O livro chama Dos passos da bailarina, vou colar a sinopse aqui:

As histórias de uma bailarina adulta, estudos sobre a dança clássica, repertórios e discussões sobre o ballet clássico são os temas que norteiam o livro, que reúne textos publicados no blog “Dos passos da bailarina” entre 2009 e 2013.

Vale muito a pena. Está disponível em Ebook no Clube de Autores.

😉

Eu quero ir nessa escola =D

Fonte: Carambolas Azuis

Sinceridade

Outubro 8, 2011

Bailarosa

Fevereiro 23, 2011

Era uma vez uma rosa branca. Ela nasceu por acaso no meio de lírios, como todos sabem, os lírios são bailarinos.

Por isso que na natureza eles são conhecidos como “bailalirios”. De qualquer forma, a rosa branca sonhava durante o dia e de noite se maravilhava com o espetáculo dos seus vizinhos. Seu sonho era dançar como eles, mas eles falavam “Rosas não dançam. Principalmente as brancas!”

Devo dizer que esses comentários deixavam a pequena rosa muito triste. Mas ela não se deixou convencer e todas as noites observava com atenção a dança dos lírios e tentava repetir os movimentos. Uma certa noite, um dos lírios viu a pequena rosa se movimentando e falou “Você não pode se dobrar desse jeito, faz assim, como eu.”. A pequena rosa era só felicidade, finalmente um lírio resolveu lhe ajudar.

Assim, todas as noites ela se aproximava do lírio que a ajudava, não posso dizer que o lírio era carinhoso com ela, porque não era. E por isso a rosa resolveu perguntar “Por que você me ajuda se não acredita em mim?”.

“Porque me doía as pétalas ver você dançando daquele jeito. Mas devo admitir que você está pegando o jeito da coisa.”

A pequena rosa ficou em êxtase com esta observação. Elas continuaram treinando todas as noites. Mas a rosa não praticava só a noite, durante o dia ela fazia exercícios e praticava, enquanto os lírios dormiam ou faziam outras coisas.

Certo dia todos os lírios estavam muito agitados, a rosa perguntou o que estava acontecendo “Em que mundo você vive?”. Perguntou um deles “Daqui uma semana entramos na primavera e temos que fazer o nosso show. Quando começamos o show, os pássaros começam a chegar e dançam com aquele que eles consideram o mais gracioso bailalirio.”

Vendo o olhar perdido e sonhador da pequena rosa, o lírio adicionou uma gota de veneno “Mas você não precisa se preocupar com isso, afinal sua dança é só por diversão. Deve ser bom já saber que os pássaros não vão te escolher, assim você nem fica nervosa.”.

A rosa branca teve um momento de tristeza, um de raiva, um de pena de si mesma seguido de depressão e depois mais raiva. Sua “professora” a viu e em um canto e foi até ela “O que você está fazendo aqui? Temos que treinar a coreografia.”.

“Eu faço parte da coreografia?”. Perguntou a rosa quase sem acreditar nas palavras que saiam da sua boca.

“Você acha que eu sou o tipo de lírio que perde tempo com rosinhas inseguras? Nem precisa responder, eu acho que você treinou muito e tem o direito de participar da coreografia, mas você quem sabe.”.

O lírio estava indo embora quando a rosa foi atrás dele e dizendo que queria muito participar.

A coreografia era mais fácil do que a pequena rosa tinha imaginado, mas é claro que elas tinham que praticar muito até ficar realmente boa. Porém,  para a surpresa da nossa amiga, parecia que só ela achava que os ensaios eram importantes. Os lírios ensaiavam umas ou duas horas e depois iam fazer outras coisas, como arrumar as pétalas e falar sobre como seria excitante se os pássaros voassem com um deles.

A rosa foi atrás da sua “professora”, mas essa também parecia não estar preocupada com a coreografia, pois ela era realmente inquieta com a sua apresentação solo. O motivo pelo qual ela tinha uma apresentação solo, era porque na primavera passada os pássaros a escolheram.

Sendo assim, a rosa praticava sozinha, passava horas e horas ensaiando a coreografia do começo ao fim.

Finalmente o grande dia chegou, todos eram nervosos. Elas começaram a dançar e os pássaros começaram a chegar. A pequena rosa ficou muito surpresa com os erros que os outros bailalirios faziam, mas mesmo assim continuava a sua dança dando o melhor de si. No meio da apresentação elas pararam em pose, era o momento do solo. Pela primeira vez, a rosa não se sentiu inferior a sua “professora”, ou em relação a qualquer  lírios. Não que eles não estavam dançando bem, mas era longe de ser um espetáculo divino.

De qualquer jeito, o solo acabou e elas fizeram a última parte da coreografia, era nessa parte que os pássaros deviam começar a dançar com um deles.

A pequena rosa estava concentrada em não cair, enquanto se equilibrava na ponta de uma de suas folhas, quando viu uma asa perto dela, levantou o olhar e viu os pássaros voando entre elas, mas ela não podia ver em torno de quem “Deve ser alguém perto de mim.”. Ela pensou.

Continuou a dança, faltavam só alguns passos para terminar, no seu último movimento percebeu que os pássaros estavam bem perto dela “Não, não pode ser. Voam perto de mim!”. Ela se sentiu tão esplendorosa que continuou a dançar até depois que a coreografia já tinha terminado.

Porém, pouco a pouco, ela foi parando, ao ver as caras feias dos lírios em torno dela e dos pássaros. Quando eles pararam de dançar um dos lírios se aproximou e disse “Vocês estão loucos? Ela nem é um bailalirio de verdade!”.

“É verdade, ela não é um bailalirio” Disse um dos pássaros “Ela é uma bailarosa.”.

“Não importa o que vocês dizem, ninguém pode nos convencer que essa aí é a que dança melhor.”

“E quem disse que nós escolhemos aquela que dança melhor? Escolhemos aquela que dança com a alma. Pois é isso que faz a diferença. É fácil saber a técnica, é fácil ser naturalmente graciosa, mas só quem dança com alma consegue fazer com que os outros tenham vontade de dançar também.”.

Depois dessa afirmação os pássaros e a pequena rosa branca dançaram e dançaram por muito tempo. E para o desespero dos lírios, depois daquele dia, outras rosas começaram a nascer por ali. Ou melhor, outras bailarosas, pois todas eram delicamente apresentadas a dança pela pequena rosa branca.

Ao cavaleiro

Fevereiro 9, 2011

Onde você esta que não chega? Desde pequena os desenhos da Disney me fizeram pensar que um dia eu conheceria um cavaleiro.

Mas que fique claro que não estou falando de príncipe, estou falando de Cavaleiro, são coisas diferentes. Aliás, aqui entre nós, os príncipes da Disney nem são grande coisa. Afinal, não basta ser só príncipe e pronto acabou. Tem que ser cavaleiro! Mas também não estou falando daquele tradicional que chega em um cavalo branco matando dragões, tanto porque, eu gosto de dragões e não gosto de coisas tradicionais.

O cavaleiro para quem estou escrevendo é aquele que vai fazer meu coração descompassar de uma forma tao violenta que vou achar que preciso de um marca passo.

Agora, não faça essa cara de “mas afinal como é esse cavaleiro?” Eu não faço ideia, você quem tem que saber. Afinal de contas, o cavaleiro é você. Eu entendo a demora para me encontrar, afinal, ultimamente estou sempre me mudando. Só espero que você não demore muito, pois não quero entrar no modo “ah, esse aqui tá bom vai” e acabar com alguém que não seja vocâ.

Eu podia te dar algumas dicas, assim você não demora tanto, pois sinto falta da proteção que você me dá, e também do seu carinho e do aconchego dos seus braços. Mas se eu te der dicas não vai ter mais tanta graça, pois a diversão está em você descobrir sozinho, ou melhor ainda, podemos descobrir juntos.

Você percebe que temos muita coisa para fazer e que se você demorar desse jeito para me encontrar o nosso tempo vai ficando cada vez mais curto? Eu sei o que você vai dizer, que eu também não sei aonde vou estar nos próximos meses e que isso não facilita as coisas, mas veja bem, se você está comigo a gente pode negociar e achar um lugar em comum. Depois, viver mudando de um lugar com você junto com certeza ia ser mais divertido do que me mudar sozinha.

Precisamos fazer uma coleção de alguma coisa bem excêntrica, adotar um cachorro, dançar todos os estilos de músicas, adormecer com o barulho da chuva, brincar brincadeiras de criança e mais um bando de coisa que eu quero fazer e mais as coisas que você quer fazer. Você percebe como essa sua demora pode atrapalhar a nossa vida!

Já me peguei várias vezes pensando que finalmente tinha te conhecido, para depois me decepcionar vendo que era só mais um que se disfarçou de cavaleiro para me enganar. Mas agora já estou um pouco mais esperta, por isso acho que não me engano mais, só espero que você saiba o que fazer para que eu saiba que você é você mesmo. Olha lá heim, não vá me decepcionar!

Agora você deve estar se perguntando, mas por que só eu que devo procurar? Pois eu respondo: Porque você é o cavaleiro! Depois, mesmo não sendo minha função, fique sabendo que eu também te procuro, mas como minha vida tem mudado muito, admito que não tenho procurado tanto nesses últimos meses. Mas se não procuro muito é porque confio em você e sei que você vai me achar.

Bom ficamos assim então, essa não é uma carta de cobrança… ah tá bom vai, é um pouco de cobrança sim, afinal você não aparece nunca e sabe como eu sou ansiosa, então é um pouco de maldade da sua parte fazer isso comigo. Mas tudo bem, não to brava, só to com saudades e queria te lembrar que estou te esperando. Então não fique chateado, sei que deve estar fazendo o possível e que também deve estar ocupado e não pode ficar me procurando todo o tempo.

Vou ficando por aqui, boa noite e sonha comigo!

Dance dialogue

Janeiro 14, 2011

—– So, did you kiss him?

—– No.

—– So, why are you so happy?

—– Because we dance.

—– Just that? For how long?

—– Just a few minutes.

—– And you are that happy because…

—– I told you already, we dance.

—– So what! You’ve dance with many men before. It is not a big deal.

—– It is when you do it with someone special.

—– But did he show some interest on you?

—– No, I’ve never thought he would. But I’ve never thought we could dance too and we did.

—– But it was only a dance.

—– For him maybe, for the rest of the world most likely, but for me it wasn’t.

—– ???

—– There is a moment when you dance with somebody; the two bodys fit each other and we move in the same rhythm, and we talk silly things in the ears, and we laugh…

—– I think I get what you mean. But that moment you are saying, does it happen with everyone you dance?

—– No! Of course not! With those that doens’t mean anything I leave before that moment happens.

—– …so… Are you going to dance with him again?

—– I wish! But I don´t know.

—– If you do, I want to know the details.

—– Now you think it is a big deal!

—– Well, as you put it… it seem to be damn good.

—– It is damn good….

Marina Sandoval

marinasandoval.net

Diálogo do que pode ser

Janeiro 14, 2011

—– Não dormi essa noite.
—– Perdeu o sono?
—– Sim.
—– Perdeu aonde?
—– Em você!
—– Como?
—– Perdi o sono porque não parava de pensar em você.
—– Por quê?
—– Não sei. Porque sim.
—– E o que pensava?
—– Em nós dois.
—– O que quer dizer com “nós dois”? Como casal?
—– Não, não exagere! Só pensei em nós dois juntos.
—– Isso me parece um casal.
—– Não, casal é algo que acontece todo dia. Eu pensei em nós dois juntos, por um dia ou dois.
—– E como foi?
—– Foi bom,
—– E por que não pensou em nós como casal?
—– Não sei. Só não pensei em você dessa forma.
—– Mas pensou em outra forma…
—– Pensei…
—– E foi bom?
—– Já disse que foi.
—– Então o que estamos esperando?
—– Mas você não me vê assim.
—– Como sabe?
—– Eu sei!
—– Não, não sabe. Depois se são só dois dias… não vejo porque não.
—– Eu vejo.
—– O quê? Se você mesma disse que foi bom.
—– Foi, mas…
—– Mas?
—– E se eu gostar mais do que posso?
—– ???
—– Se eu gostar tanto que dois dias não vão ser suficiente?
—– Você acha que isso pode acontecer?
—– Talvez.
—– Mas você mesma disse que não nos via como casal.
—– Mas posso mudar de ideia.
—– Não quer arriscar?
—– Depende.
—– Do quê?
—– De você!
—– O que quer eu faça?
—– Não deixe de ser meu amigo.
—– Ok!
—– Ok!
—– Isso é estranho.
—– É…
—– Quando você imaginou, como foi?
—– Foi natural.
—– …
—– Vêm comigo!
—– Onde?
—– Vêm! Vamos dançar.
—– Dançar? Não sei dançar.
—– Eu te ensino… viu está dançando.
—– Bem mal.
—– Não, está ótimo… isso é bom.
—– Vão ser os melhores dois dias.
—– Tenho certeza que vão…
Marina Sandoval
marinasandoval.net