Primeiro capítulo do C.S. – Detetive Particular.

1

Ele tinha acabado de virar um detetive particular. Estava entrando no seu escritório pela primeira vez. Na porta de vidro, havia as letras C.S., eram as iniciais do seu nome, Carlos Stanley. Ao abri-la, ouvia-se o ranger da madeira, o ambiente cheirava a mofo e a luz do sol mostrava a poeira pairando no ar. Ele estava imóvel, olhando pela janela, perdido em pensamentos, quando uma mulher entrou. Não se lembrava de ter contratado uma secretária, principalmente uma que se parecia com a Barbie. A voz da mulher era aguda e se parecia mais com um desenho animado do que com a voz de uma mulher de verdade. “Desculpe, eu não me lembro de você.”, ele disse.

“É claro que você não se lembra, seu bobinho. A agência me mandou.”

Ah! Sim, ele tinha pedido para uma agência cuidar disso, mas não pensava que eles contratariam alguém sem nem falar com ele. Era a primeira vez que teria alguém trabalhando para ele. Carlos era um sujeito quieto, e ela parecia entusiasmada demais, o que o deixou um tanto incomodado.

“Você deve estar muito feliz por ter um escritório todo seu. E já tem um caso!”

Caso? Que caso? Do que a Penélope Charmosa estava falando? “Eu ainda não fui chamado para nenhum serviço.”

“Claro que foi, bobinho! Aqui está.”

Ela esticou o braço, entregando-lhe uma pasta.

“Como é que você arrumou isso? Hoje não é seu primeiro dia de trabalho?” Hoje era o primeiro dia de trabalho dele!

“Acontece que eu cheguei aqui antes de você, queria chegar cedo para causar boa impressão e encontrei essa pasta na frente da porta. Decidi pegar porque parecia importante, mas aí você demorou tanto que eu decidi ir tomar um café e como tinha colocado a pasta na bolsa ela acabou ficando comigo. Espero que o senhor não fique bravo, eu fiz com as melhores intenções. Juro que não faço nunca mais se o senhor não quiser que eu mexa nas suas coisas é só dizer que eu nunca, nunca, nunca mais vou fazer isso…”

Carlos se perguntou quanto fôlego ela deveria ter para falar tanto de uma só vez.

“Tudo bem!” Ele a interrompeu, pois parecia que, se não o fizesse, ela não pararia nunca mais, e a sua voz era… Como ouvir um passarinho ser estrangulado.

“Pode ir agora… Vai… Faça o que as secretárias fazem.”

Ela saiu da sala, e ele se sentou na sua poltrona de couro. Isso poderia parecer elegante, mas não era. Ele havia encontrado a poltrona perto do lixo e achou que ia ser uma boa economia. A peça realizava muito bem a sua função, mas seu couro estava velho e tinha alguns buracos. Ele gostava de cada furo, pois cada um representava uma história, e isso o fascinava.

Leu os papéis que estavam dentro da pasta. A Barbie estava certa, era um caso. Estranho. Não havia muitos detalhes do serviço. A pessoa só solicitava que ele a encontrasse em uma cidadezinha que ficava a alguns quilômetros dali. A reunião seria no dia seguinte, no final da tarde.

Se quiser comprar o e-book clique aqui e se quiser o livro impresso aqui.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: