Insegurança, s.f., é um circo onde somos tudo: equilibrista, palhaço, engolidor de facas, fera, domador, mulher barbada e trapezista. Só não somos dono do circo.
(Roubei do blog Mme. Mean)
Insegurança, s.f., é um circo onde somos tudo: equilibrista, palhaço, engolidor de facas, fera, domador, mulher barbada e trapezista. Só não somos dono do circo.
(Roubei do blog Mme. Mean)
Ao contrário dos outros, o Cavaleiro não foi procurar sua porta imediatamente. Ele seguiu o rio e olhou para o outro lado. Procurava seu cavalo, não ia a nenhum lugar sem ele. Como seu cavalo também o procurava, não demorou muito para eles se encontrarem. O cavaleiro sorriu e abraçou seu único amigo. “Vamos amigo, vamos sair daqui!” Subiu em cima dele e foi procurar sua porta.
Quando a achou, ele a abriu de cima do cavalo, se abaixou para não bater a cabeça e eles entraram. Imediatamente fechou os olhos, pois uma luz muito forte veio em sua direção. Demorou um bom tempo para que ele conseguisse abrir os olhos e se acostumar com a luz. Quando finalmente conseguiu abrir vislumbrou uma paisagem que nunca tinha visto. Tudo ao seu redor era areia, dunas de uma areia quase vermelha. Olhou para trás, como ele esperava a porta não estava mais ali. O sol era forte, ele deu alguns passos tímidos, resolveu subir em uma das dunas, a mais alta delas, quem sabe não conseguia ver algo. Ele esperava ver uma cidade ou algo parecido, mas o que ele viu foi uma fila de cinco camelos vindo em sua direção. Um pouco por instinto e um pouco por saber o que o seu uniforme representava ele tirou a malha que cobria a armadura, pois esta continha um grande crucifixo impresso. Ele desceu do cavalo e enterrou a malha na areia.
Cavalgou em direção aos camelos, quando eles o viram pararam. Um deles, um homem, desceu do camelo, o Cavaleiro fez o mesmo. O homem usava muitas roupas, todo de preto, era todo coberto, só deixando a vista os olhos. Ele falou alguma coisa e o Cavaleiro não entendeu. Percebendo que o Cavaleiro não sabia sua língua, o homem apontou para o Cavaleiro e fez o gesto de beber e comer com a mão. O Cavaleiro entendeu e fez não com a cabeça, depois se agachou e com o dedo desenhou algo como uma cidade na areia e olhou para o homem, que balançou a cabeça e apontou para o horizonte chocalhando o braço, como quem diz, que é naquela direção, porém longe. Vendo a cara de desilusão do Cavaleiro o homem apontou para ele e depois fez sinal com os braços, como chamando o Cavaleiro para viajar junto com eles.
Naquele momento o Cavaleiro se sentiu realmente em culpa. Há muito tempo atrás, tanto tempo que ele nem sabia quanto tempo era, ele tinha matado pessoas vestidas daquele jeito e mesmo que ele tentasse se convencer que não eram as mesmas pessoas, ele sabia que eram. Eram árabes e ele tinha matado muitos árabes em nome da Igreja. Como podia viajar com eles, comer sua comida e dividir sua água? O homem percebeu a hesitação do Cavaleiro, foi até os outros e falou algo. Todos desceram dos camelos, o Cavaleiro sentiu um pouco de apreensão, porém, o homem mostrou cada um dos membros do grupo. Um deles era uma mulher, um outro homem, um adolescente, outra mulher, mais jovem da primeira (se via pelos olhos, pois todos eram cobertos) e um menino que não devia ter mais de sete anos. O homem apontou para ele mesmo e para a mulher mais velha e depois para o adolescente e para o menino. O Cavaleiro entendeu, eram uma família. Lhes sorriso envergonhado e fez um tipo de reverência como para agradecer.
O homem lhe deu uma túnica e também algo para cobrir o rosto, apontou para o sol e o Cavaleiro entendeu que se ele continuasse com a armadura morreria de calor e queimaria o rosto. A mulher mais velha deu de beber e comer ao cavalo e o outro homem do grupo improvisou uma tenda para o Cavaleiro se trocar, ele ficou impressionado com a rapidez que o homem montou a tenda.
Uma vez todos prontos se colocaram de novo ao caminho e o Cavaleiro os seguiu.
A anfitriã viu de longe o Chefe de Polícia entrando na sua porta e continuou procurando a sua. Depois de algum tempo a achou, com a mesma hesitação do Chefe ela abriu a porta e entrou. Quando a porta se fechou atrás dela, ela se sentiu como se estivesse dentro de um armário muito pequeno, mas de repente o chão se rompeu e ela começou a cair aos gritos. Uma luz lhe veio de encontro e como não estava mais acostumada a tanta luz, fechou os olhos e só foi se dar conta de onde estava caindo quando sentiu a água fria. Abriu os olhos, era embaixo d’água, era no mar, lhe faltava ar, nadou até a superfície. As ondas lhe vinham de encontro e ela tentava nadar até a praia, que devia estar a uns 10 metros de distância. Viu alguns vultos que corriam nas pedras, mas não prestou atenção, só queria sair dali. De repente lhe veio a consciência, era viva, era cansada, o vestido pesado lhe puxava para baixo. Quando finalmente chegou perto da praia se deixou levar, caiu na areia, as ondas vinham e iam e ela se rastejava para longe delas. Até que olhou a sua frente e viu seis pernas. Olhou para cima, três homens armados estavam a sua frente apontando as armas para ela. Com um sorriso irônico um deles falou “Achou que podia escapar?” Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, eles a pegaram pelos braços sem muita delicadeza, um deles colocou duas grandes algemas em seus pulsos, deu um cutucão em suas costas com a arma e falou “Caminha, sem gracinhas, bruxa!” Ela não entendia nada, mas sabia que tudo aquilo tinha um motivo e uma explicação, era só ela descobrir qual era a sua missão e tudo ia ficar bem. Caminharam durante meia hora, até que chegaram em uma pequena vila, todos a olhavam com ódio, alguns a xingava quando passava e de longe alguns até lhe jogavam coisas. Eles chegaram onde era a prisão do lugar, com a mesma violência de sempre eles a jogaram em uma cela, onde estavam outros dois homens. Um dos homens era um ancião, a barba e os cabelos compridos e brancos lhe escondia o rosto. O outro era mais jovem, seu rosto estava um tanto sujo, mas dava para ver os olhos de cor cinza. Seus cabelos eram cacheados e cor de chocolate, assim como o ancião, ele também estava com os cabelos compridos e a barba lunga. Ele a ajudou a se levantar, ele também havia a barba e os cabelos um tanto compridos e por isso ela concluiu que eles deviam estar ali há um bom tempo. “Eles te machucaram?” Sussurrou o homem com uma certa cumplicidade que a anfitriã não entendeu. Era como se ele a conhecesse. “Não! Estou bem, obrigada.” Ela respondeu enquanto milhares de perguntas flutuavam em sua testa. Mas ela não tinha certeza se devia formulá-las. Ela se sentou em um canto e o homem continuou a conversar com ela em um tom baixo. “Como eles te acharam? Eu achava que você já estava longe!” “Eu não me lembro bem. Estava no mar e só queria sair de lá, então nadei até a praia e eles estavam lá.” “Então aconteceu algo com o barco?” Ela não sabia o que responder e ele viu sua confusão. “O que houve? O que eles te fizeram, parece até que você não nos conhece!” “Desculpa, eu acho que bati minha cabeça em algo. Não me lembro bem das coisas.” “Tudo bem, vai ficar tudo bem.” Ele se sentou perto dela e lhe abraçou.
Depois de ver um filme que tem como base um livro, o comentário é normalmente o mesmo “O livro é melhor.” Sinceramente este é o comentário mais óbvio que existe. Mas não me ausento do fato que eu também já fiz este tipo de comentário, porém, mesmo assim não digo que não gostei de um filme simplesmente porque o livro é melhor (coisa que insisto em dizer: é óbvio) ou porque na minha imaginação as coisas eram diferentes. Essa é outra coisa bem óbvia, afinal se todos imaginássemos a mesma coisa iria ser algo bem estranho visto que a imaginação é formada com uma porcentagem de memória.
Um cometário que eu gosto é quando uma pessoa não leu o livro e uma outra sim e esta fala “Se você ler o livro vai entender melhor.” Isso sim é um bom comentário.
Livros e filmes são coisas diferentes, são artes diferentes e por isso DEVEM ser diferentes quando comparados. O motivo porque as pessoas normalmente preferem os livros é que no livro a riqueza de detalhes é muito maior que nos filmes, além de você imaginar a estória da maneira como bem entende e como um livro não tem um limite de páginas, tudo pode, e normalmente é, muito bem explicado. Quando um filme se baseia em um livro, frequentemente o faz porque no livro tem muita ação, pois filmes precisam de ações, quando digo ações não estou falando de carros explodindo ou terremotos, mas ações entre os personagem, diálogos envolventes e coisas do gênero. Filmes são feitos de cenas e livros são feitos de palavras. Um filme deve ter cenas emocionantes e por isso muitas vezes os diretores escolhem por deixar algumas coisas sem explicar direito e no lugar dessas explicações fazer cenas fantásticas. E não é uma escolha errada, visto que eles estão fazendo um FILME e não reescrevendo o livro.
Outra coisa que me faz refletir é o fato que, se o filme fosse exatamente igual ao livro, o filme não instigaria as pessoas a lerem. Eu sei que muitos falam “Porque vou ler o livro se posso ver o filme?” Mas estas pessoas nós vamos desprezar porque essa frase é sem comentários. Continuando, eu tenho certeza que muitas pessoas começaram a ler alguns livros depois de ver o filme e isso é uma coisa boa, aliás muito boa. Mas de qualquer forma estou desviando do ponto e o ponto é LIVROS e FILMES que como já disse são artes diferentes e eu amo as duas.
Por isso antes de dizer “O livro é melhor!” Como se fosse o comentário mais construtivo do mundo, vamos pensar sobre o filme como uma coisa separada daquilo que tínhamos imaginado, vamos pensar que estamos entrando na cabeça de alguém e vendo a imaginação daquela pessoa (aliás só isso já considero algo fantástico, adoraria poder ver no telão o que alguém imagina quando lê o que eu escrivo), e depois de nos livras dos preconceitos, poderemos comparar e talvez conseguir fazer um comentário construtivo a respeito do que acabamos de ver.
“Uma mulher não precisa de um companheiro
para acessar locais em que ela consegue ir sozinha.
Uma relação só faz sentido se você consegue conduzi-la
para aqueles lugares que ela nunca suspeitou existir,
mas secretamente passou a vida toda desejando.”
Gustavo Vitti
(Roubei do Blog Olhos de Mar, aliás passem por lá que eu recomendo)
Speak Friend and Enter